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Produção de leite em éguas.

PRODUÇÃO DE LEITE EM ÉGUAS

 

 

Por Paula Gomes Rodrigues

 

 

O estabelecimento da lactação, para todas as espécies de mamíferos, é essencial para o desenvolvimento e sobrevivência dos descendentes. Durante os primeiros meses de vida o leite materno é o único alimento que os filhotes são capazes de ingerir e digerir, proporcionando condições ótimas de crescimento e desenvolvimento.

 

As raças e a produção de leite

 

            A raça da égua é um dos fatores que pode exercer influência sobre a produção de leite. Éguas de raças pesadas tendem a produzir mais leite do que éguas de raças mais leves. Para exemplificar, a produção máxima de leite de éguas da raça Bretão é cerca de 17,7kg de leite/dia (Doreau et al., 1991), enquanto que em éguas Puro Sangue Inglês (PSI) a produção é de 14,9kg de leite/dia (Cabrera et al., 1990).

Em geral, a produção diária de leite varia entre 2,0 e 3,0% do peso vivo da égua, de acordo com o estágio da lactação. A produção de leite é crescente até atingir o pico, antes do segundo mês de lactação, e decresce constantemente até o final do período de lactação, aos 180 dias aproximadamente (Oftedal et al., 1983; Cabrera et al., 1990; Doreau et al., 1990; Gibbs et al., 1982). O pico de produção, em raças grandes como o Bretão, ocorre somente após o segundo mês de lactação (Doureau et al., 1991b).

A queda na produção de leite, após o pico de lactação, sugere que após este período pode haver um déficit no fornecimento de nutrientes aos potros. Que precisam, a partir deste momento, de suplementação nutricional adequada (Santos & Zanine, 2006).

 

Tabela 1 – Produção máxima de leite (kg/dia) em éguas de diferentes raças.

Raça

Produção máxima de leite (kg/dia)

Autores

 

Mangalarga Marchador

 

 

9,95

 

Santos et al., 2005

Quarto de Milha

 

11,8

Gibss et al., 1982

Puro Sangue Inglês

 

14,9

Cabrera et al., 1990

Bretão

17,7

Doreau et al., 1991

 

Em cavalos selvagens a duração da lactação é mais prolongada, cerca de 8 a 9 meses. Devido ao manejo dos criadores, e a intenção de se obter um potro por ano, o potro é desmamado com 6 meses para que a égua não seja sobrecarregada, afinal. Para que a égua possa se preparar para a criação de um novo potro é indispensável este período de descanso.

A idade das éguas não parece influenciar na produção de leite. Santos et al. (2005) compararam a produção de éguas Mangalarga Marchador, um grupo de éguas com idade entre 8 e 11 anos e outro grupo entre 16 e 19 anos e não encontraram diferenças significativas na produção de leite ao longo de toda a lactação.

 

 

 

 

A composição do leite

 

            Segundo Frape (2008) em qualquer estágio da lactação a composição do leite é, proporcionalmente, semelhante entre as raças. Entretanto, quando comparado com a composição do leite de outros mamíferos, o leite das éguas é pobre em energia (425 a 825 kcal/kg), em gordura (1,0 a 1,5%) e em proteína bruta (1,89 a 2,87%), mas rico em lactose (6,5 a 6,6%) (Pagan & Hintz, 1988; Gibbs et al., 1982). O que explica, em parte, o maior tempo necessário para que o potro duplique seu peso a partir do nascimento em relação aos demais mamíferos, como pode ser observado na Tabela 2.

 

Tabela 2 – Número de dias necessários para que mamíferos domésticos dupliquem seu peso.

Espécie

Dias necessários para duplicação do peso (kg) ao nascimento

Proteína no leite (%)

Cinzas no leite (%)

Mulher

180

1,6

0,2

Égua

60

2,2

0,5

Vaca

47

3,5

0,8

Ovelha

10

6,5

1,0

Porca

8

7,3

1,0

Cadela

8

7,1

1,3

Gata

7

9,1

0,6

Coelha

6

14,0

2,2

 

            O ganho médio diário de potros Mangalarga Marchador é cerca de 700g/dia (Santos et al., 2005), sendo que o do nascimento até os 20 dias de vida o ganho é mais intenso, cerca de 950g/dia. Este ganho elevado logo após o nascimento pode ser atribuído aos maiores teores de proteína, gordura e energia presente no leite da égua neste período.

            Os componentes do leite podem ser divididos em dois grandes grupos: componentes energéticos (grupo 1) e componentes de crescimento (grupo 2). Proteína e cinzas são classificados no grupo 2, enquanto que os lipídeos e carboidratos se encontram no grupo 1.

            O leite de éguas apresenta teores reduzidos de gordura, energia e proteína e elevados de lactose. A concentração de gordura em éguas Mangalarga Marchador entre 0,86 a 1,70%; de lactose entre 6,76 a 7,10%; de energia entre 373,30 a 527,46kcal/kg de leite e de proteína entre 1,48 a 2,46%. Na raça Quarto de Milha, Gibbs et al. (1982), observaram teores de PB e gordura variando entre 1,80% e 2,87% e entre 1,00% e 1,50%, respectivamente. Pagan & Hintz (1988), avaliando a composição do leite de éguas da raça Pônei, observaram variações nos teores de proteína bruta (1,89% e 2,33%); de lactose (6,57% e 6,60%) e de energia (425 kcal/kg e 485 kcal/kg). As médias de concentração de proteína, energia, lactose e cinzas, considerando todas as raças equinas, estão presentes na Tabela 3.

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 3 – Composição do leite dos animais domésticos.

 

Componentes do leite (%)

 

Água

Proteína

Gordura

Lactose

Cinzas

Vaca

87,8

3,5

3,5

4,5

0,8

Égua

90,0

2,2

1,1

6,1

0,5

Ovelha

82,5

6,5

6,1

4,5

1,0

Cabra

85,8

4,4

4,4

4,6

0,8

Porca

80,00

7,3

8,4

3,3

1,0

 

 

Paula Gomes Rodrigues – Zootecnista

Mestranda em Produção Animal / equinos (UFLA)

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

CABRERA, L.; FERNANDES, L. C.; MORAES; C. M. M. Composição de leite de éguas PSI e desenvolvimento ponderal de suas crias. A Hora Veterinária, v. 10, n. 55, 1990. 

 

DOREAU, M.; BOULOT, S.; BAUCHART, D. Voluntary intake, milk production and plasma metabolites in nursing mares fed two different diets. Journal of Nutrition, v.122, p. 992-999, 1991

 

DOREAU, M.; BOULOT, S.; BAUCHART, D. Yield and composition of milk from lactating mares: effect of lactation stage and individual differences. Journal of Dairy Research, v. 57, p. 449-454, 1990.

 

FRAPE, D. Nutrição & alimentação de equinos. 3. ed. São Paulo: Rocca, 2008. 602 p.

 

 

 

GIBBS, P. G.; POTTER, G. D.; BLAKE, R. W. Milk production of Quarter horse during 150 days of lactation. Journal of Animal Science, v. 54, n. 3, p. 497-450, 1982.

 

OFTEDAL, O. T.; HINTZ, H. F.; SCHRYVER, H. F. Lactation in the horse: milk composition and intake by foals. Journal Nutrition, v. 113, p. 2196-2206, 1983. 

 

PAGAN, J. D.; HINTZ, H. F. Composition of milk from pony mares fed various levels of digestible energy. Cornell Veterinarian, v. 76, n. 2, p.139-148. 1988. 

 

SANTOS, E. M.; ALMEIDA, F. Q.; VIEIRA, A. A.; PINTO, L. F. B.; CORASSA, A.; PIMENTEL, R. R. M.; SILVA, V. P.; GALZERANO, L. Lactação em éguas da raça Mangalarga Marchador: Produção e composição do leite e ganho de peso dos potros lactentes. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 34, n. 2, p. 627-634, 2005.

 

SANTOS, E. M.; ZANINE, A. M. Maré milk production. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v. 101, p. 17-23, 2006.

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