
Paula Gomes Rodrigues – Doutoranda em Produção Animal / UFLA
Lucas Ferreira Guerra – Graduando em Zootecnia / UFLA
Nos últimos anos tem-se observado uma intensa evolução na nutrição de equinos, fato que pode ser confirmado por meio do número cada vez maior de trabalhos científicos desenvolvidos nesta área. Um dos principais motivos que justificam essas pesquisas é o crescimento da equideocultura e popularização da equitação, tanto como esporte quanto lazer.
A introdução de gordura na dieta de animais atletas ocorreu em 1973, com o objetivo de prevenção da rabdomiólise (lise das células musculares esqueléticas) em cães de corrida (Kronfeld et al., 1998). Posteriormente, a inclusão de gordura na dieta de equinos atletas passou a ser estudada com o objetivo de reduzir a fadiga muscular. O retardo da fadiga pode resultar na manutenção ou aumento da velocidade do exercício por períodos prolongados (Meyer et al., 1995).
A principal fonte de energia adicionada às dietas são os carboidratos seguidos pelos lipídios, tanto óleos vegetais como gordura animal, que têm sido classificados como fontes alternativas de energia prontamente disponível para o consumo, e variam em seu valor dietético quanto à estrutura química dos triglicerídeos e dos ácidos graxos de cadeia longa, além disso, apresenta boa palatabilidade.
Em geral, o conteúdo de lipídio (extrato etéreo) das dietas pode variar entre 2 a 5% na matéria seca (Cunha, 2001). Concentrados comerciais contêm, em média, de 3 a 6% de lipídio na matéria seca. Segundo Kohnke (1992) 10 a 12% da energia total da dieta sob a forma de lipídio parece ser um nível seguro e benéfico.
Já para um satisfatório desempenho da peletização, a quantidade de lipídio no concentrado deve variar em torno de 2 a 3% (Beynem & Hallebeek, 2002).
A adição de óleos e gordura é uma ótima maneira de aumentar a energia da dieta sem aumentar o volume de alimento consumido. Se as exigências energéticas de equinos atletas fossem supridas somente com carboidratos, a quantidade oferecida deste nutriente seria muito elevado, provocando laminite e cólica. Como os óleos e as gorduras não estão sujeitos à fermentação microbiana, este risco é mínimo.
Segundo Morgado & Galzerano (2006), o uso de óleos na dieta visa:
Além disso, a inclusão de óleos é importante no treinamento de cavalos de regiões de clima quente, pois sua metabolização resulta em menor incremento calórico, ou seja, gasta-se menos energia para sua degradação e absorção.
Diferentes estudos comprovaram que entre os benefícios da adição de óleo na dieta pode-se citar a maior mobilização e utilização da gordura, além do efeito poupador de glicogênio, fator extremamente importante para evitar a hipoglicemia que pode se estabelecer em cavalos que realizam exercícios pesados de longa duração.
Marqueze et al. (2001) adicionaram 4,7% de óleo de soja em dietas para cavalos e verificaram que o aumento do nível de óleo na dieta não influenciou as frequências cardíaca e respiratória e os níveis plasmáticos de glicose e lactato, antes e após o exercício. Observaram diferenças apenas na concentração de glicogênio muscular que foi maior nos animais que receberam dietas com adição de óleo.
Mattos et al. (2006) concluíram que a adição de 250 e 500g de óleo de soja na dieta de equinos submetidos a exercício de média intensidade proporcionou melhora no desempenho atlético desses animais. Além disso, animais que consumiram 500g de óleo por dia apresentaram melhor recuperação após a prática do exercício.
Muitas pesquisas devem ainda ser realizadas para se saber ao certo os efeitos da utilização de óleo, pois existe divergência dos resultados dos estudos sobre a resposta metabólica e a digestibilidade dos demais nutrientes. Porém, deve ser considerado que a inclusão de óleo em dietas para equinos tem por objetivo fornecer uma fonte de energia prontamente disponível para o músculo, atrasando a fadiga muscular. Além de ser uma ótima forma de aumentar o nível energético da ração sem o correspondente aumento no fornecimento da matéria seca (Morgado & Galzerano, 2006).
Referências Bibliográficas
BEYNEN A. C.; HALLEBEEK. High-fat diets for horses. First European Equine Nutrition & Health Congress. Holanda. 2002.
CUNHA, T. J. Horse feeding and nutrition. 2 ed., San Diego: Academic Press, 1991. 445p.
KOHNKE, J.R. Feeding and Nutrition. Birubi Pacific. 197p. 1992.
KRONFELD, D. S.; CRANDEL, K. M.; CUSTALOW, S. E. et al. Studies of fat adaptation and exercise. In: RECENT ADVANCES IN EQUINE NUTRITION, 1998, Kentucky. Proceedings... Kentucky: Kentucky Equine Research, 1998. p.37-39.
MARQUEZE, A. KESSLER, A. M.; BERNARDI, M. L. Aumento do nível de óleo em dietas isoenergéticas para cavalos submetidos a exercício. Ciência Rural, v. 31, n. 3, p. 491-496, 2001.
MATTOS, F.; ARAÚJO, K. V.; LEITE, G. G.; GOULART, H. M. Uso de óleo na dieta de equinos submetidos ao exercício. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 35, n. 4, p. 1373-1380, 2006.
MEYER, H. Alimentação de cavalos. São Paulo: Livraria Varela, 1995, 303p.
MORGADO, E.; GALZERANO, L. Utilização de óleos em dietas para equinos. Revista eletrônica de veterinária – REDVET, v. 8, n. 10, Out, 2006. Acessado em 03/05/2010 http://www.veterinaria.org/revistas/redvet/n101006/100603.pdf
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