
Paula Gomes Rodrigues / Doutoranda em Produção Animal – UFLA
Lucas Ferreira Guerra / Graduando em Zootecnia – UFLA
As indústrias terapêuticas e de nutrição, assim como órgãos de pesquisa, vêm estudando os efeitos dos suplementos alimentares, dentre eles os prebióticos, probióticos e simbióticos, nas diversas espécies animais, inclusive humana. A equinocultura vem acompanhando essas tendências, onde estes suplmentos têm sido utilizados visando melhorias no aproveitamento da dieta, desenvolvimento animal, condicionamento físico e prevenção e/ou recuperação de doenças, porém, com poucos trabalhos que comprovem seus efeitos.
PREBIÓTICOS
O termo prebiótico é utilizado para designar “ingredientes não digeríveis que estimulam seletivamente o crescimento e atividade de uma ou mais bactérias benéficas do trato gastrointestinal (TGI), melhorando a saúde do animal”.
Para ser considerado prebiótico o suplemento deve apresentar as seguintes características: não ser metabolizado ou absorvido durante sua passagem no TGI; deve servir como substrato a uma ou mais bactérias intestinais benéficas, e possuir capacidade de alterar a microflora intestinal de maneira favorável ao hospedeiro.
Os prebióticos são na verdade carboidratos (em geral oligossacarídeos), ou fibras solúveis, encontrados naturalmente em alguns alimentos, como por exemplo:
As principais funções estão relacionadas com o maior estímulo do crescimento e/ou ativação do metabolismo de um grupo de bactérias benéficas do TGI; manutenção do equilíbrio da flora intestinal; aumento da motilidade intestinal; prevenção de diarréias e cólicas; e inibição do desenvolvimento de bactérias patogênicas.
O uso de prebióticos em associação aos probióticos apresenta ações benéficas superiores aos antibióticos promotores de crescimento, além disso, não deixam resíduos nos produtos de origem animal e não induz o desenvolvimento de resistência às drogas pelo fato de serem produtos essencialmente naturais.
PROBIÓTICOS
Probióticos são suplementos microbianos vivos constituídos por bactérias e/ou leveduras que, quando incorporados na dieta, são capazes de auxiliar na manutenção e/ou restauração do equilíbrio da flora intestinal, inibindo o crescimento de microorganismos patogênicos e beneficiando a saúde e a produtividade dos animais hospedeiros.
Existem diferentes tipos de probióticos utilizados na alimentação de animais monogástricos, constituídos, na maior parte das vezes, por bactérias (Lactobacillus acidophilus, Streptococcus faecium ou Bacillus) naturalmente encontradas no TGI desses animais. Já os probióticos à base de leveduras, como Saccharomyces cerevisiae ou Aspergillus oryzae, têm sido amplamente utilizados como suplemento alimentar de vacas leiteiras ou animais de engorda intensiva, e equinos.
Para que um suplemento seja classificado como probiótico ele deve apresentar algumas características, como: resistência às enzimas digestíveis e ao pH ácido do estômago, ser uma cultura viva (bactéria ou levedura), capacidade de manutenção de sua viabilidade após estocagem e ter condições de permanecer no ecossistema intestinal.
A atuação dos probióticos pode ocorrer de diferentes maneiras, entre os principais modos de ação estão descritos:
USO DE PROBIÓTICOS EM EQUINOS
O equilíbrio da flora microbiana presente no TGI de um animal saudável é extremamente importante para a máxima absorção e aproveitamento dos nutrientes. Contudo, em situações de estresse (transporte, período pós-operatório, exercício físico em excesso, desmame, doenças e alimentação inadequada), este equilíbrio pode ser afetado negativamente, diminuindo o aproveitamento de nutrientes e aumentando a incidência de distúrbios gastrointestinais, como a cólica. Diante disso, o uso de probióticos consiste em auxiliar a manutenção e/ou restabelecimento do equilíbrio ideal entre microorganismos benéficos e patogênicos.
Fernandes et al. (2000) afirmaram que a administração terapêutica de probióticos em casos de infecções subclínicas do TGI parece ser efetiva quando os patógenos ainda não se multiplicaram amplamente.
Em animais recém nascidos a administração de probióticos, constituídos por Lactobacillus, é capaz de diminuir a incidência de diarréias e aumentar a taxa de crescimento, potros suplementados com probióticos apresentaram maior peso corporal, cerca de 6%, do que aqueles não suplementados (Yuyama et al., 2004). No caso de potros desmamados, o uso de probióticos também promove um efeito benéfico, aumentando o aproveitamento dos nutrientes fornecidos pela dieta (Moura, 2007).
Em animais adultos, a suplementação com leveduras resultou em maiores concentrações de protozoários e bactérias celulolíticas no ceco, consequentemente, aumentou a digestibilidade da matéria seca, proteína bruta e fibra (Moore et al., 1994). A digestibilidade e absorção de proteínas também foram afetadas, de maneira positiva, pelo uso de probióticos (Moura, 2007).
Animais atletas, a alta exigência energética ocasionada por treinamentos intensos pode provocar aumento na incidência de cólicas, pois uma maior quantidade de amido não digerido pode chegar ceco e intestino grosso causando rápida fermentação e redução de pH (Moura, 2007). Nesses casos, Medina et al. (2002) constataram que a suplementação com leveduras (Saccharomyces cerevisiae) foi capaz de reduzir a variação do ácido lático e pH intestinal, tornando os animais mais tolerantes a este padrão de alimentação.
Apesar de uma série de produtos comerciais a base de probióticos serem vendidos para a espécie equina, ainda não existem pesquisas suficientes que justifiquem sua ampla utilização prática, pois os resultados publicados ainda são conflitantes. Mais estudos são necessários visando à elaboração e fornecimento de produtos comerciais criteriosamente avaliados com relação às espécies utilizadas e concentrações adequadas.
SIMBIÓTICOS
Os simbióticos são suplementos que contém microorganismos probióticos e também substâncias prebióticas. Geralmente estes suplementos são comercializados contendo espécies probióticas atuantes no intestino delgado e prebióticos estimulantes da microbiota já existente no cólon (Fernandes et al., 2000.)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDES, P. C. C.; LADEIRA, I. Q.; FERREIRA, C. L. L. F. et al. Viabilidade do uso de probióticos na alimentação de monogástricos. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, n. 31, p. 53-71, 2000.
MEDINA, B.; GIRARD, I. D.; JACOTOT, E. et al. Effect of a preparation of Saccharomyces cerevisiae on microbial profiles and fermentation patterns in the large intestine of horses fed a high fiber or a high starch diet. Journal of Animal Science, v. 80, n. 5, p. 2600-2609, 2002.
MOORE, B. E.; NEWMAN, K. E.; SPRING, P. et al. Cecal fermentation in the horse. Effects of yeast culture (Yea-Sacc1026) on microbial populations and digestion in the cecum and colon of the equine. Journal of Animal Science, v. 72, p. 252-253, 1994. Suppl.
MOURA, R. S. Probióticos e fitase em dietas para potros Mangalarga Marchador. 2007. Dissertação (Mestrado em Zootecnia), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 63p.
YUYAMA, T.; YUSA, S.; TAKAI, S. et al., Evaluation of a host-specific Lactobacillus probiotic in neonatal foals. Int. J. Appl. Res. Vet. Med. v. 2, n.1, p. 26-33, 2004.
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