
Ainda que existam variações em função de raça, indivíduo e uma certa influência do sexo, os potros possuem notável precocidade potencial.
Esta precocidade exige um ótimo ajuste no arraçoamento alimentar, desde o período de gestação da égua e amamentação, e com o potro, sobretudo no período de 06 a 18 meses. Assim, pode-se garantir a obtenção de um bom crescimento e de um excelente desenvolvimento ósseo e muscular a partir de uma idade precoce, permitindo ao potro entrar nas primeiras competições em melhores condições.
Deve-se atentar para o inicio da alimentação dos potros, no terço final da gestação, ainda na barriga da mãe. Desta forma, para se iniciar um bom manejo nutricional dos potros, deve-se pensar em alimentar-se adequadamente a mãe a partir do 8º mês da gestação, pois o que ela ingerir, é o potro quem será o maior beneficiário. A alimentação do potro, via mãe, estende-se após o nascimento no período inicial da lactação, onde o potro, apesar de começar a ingerir algum alimento sólido como ração e capim, será essencialmente nutrido pelo leite da mãe. Desta forma, quanto mais leite e de melhor qualidade a mãe produzir, melhor será a nutrição do potro lactente, e o que faz uma égua produzir leite é uma ótima alimentação composta de nutrientes de qualidade, de forma equilibrada e na quantidade correta, sem deficiências nem excessos. A partir do 3º mês de vida, o potro já inicia o aproveitamento de nutrientes sólidos, principalmente volumoso, porém o leite ainda é sua melhor fonte nutricional.
Após o desmame, um potro que já esteja habituado a uma alimentação sólida com ração concentrada deverá sentir menos a perda do leite materno, o que pouco influenciará no resultado de um animal adulto sadio, desde que o potro receba a alimentação concentrada correta, que lhe permita um ótimo crescimento e desenvolvimento.
A velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves, o peso ao nascimento representa 10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês (mais precisamente em 35 dias) e, em geral, triplica o peso inicial ao redor dos 100 dias de idade.
Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses. É claro que estes valores sofrem alguma variação conforme a raça do animal.
Quanto à altura, ao nascer, o potro já apresenta um crescimento linear apreciável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando cerca de 95% de seu crescimento máximo aos 24 meses e 100% aos 60 meses, em média.
A velocidade do desenvolvimento define a precocidade.
A precocidade máxima, levando-se em conta o potencial genético, será obtida quanto melhor forem as condições do meio ambiente, especialmente as condições nutricionais.
Para os diferentes tecidos, o desenvolvimento máximo obtido em função da idade é, inicialmente, do sistema nervoso, e após, sucessivamente, do tecido ósseo, muscular e de gorduras de reserva.
Este desenvolvimento se inicia assim que o nível energético alimentar ultrapasse as possibilidades de desenvolvimento do conjunto dos tecidos magros, e estaria relacionado, por um lado, ao potencial genético máximo (em função de raça, origem, indivíduo e sua idade), e por outro lado, aos limites impostos pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes indispensáveis.
Assim, potros de éguas em regime hipoprotéico durante a lactação, mostram um menor desenvolvimento cerebral, confirmado por uma atitude inferior durante o adestramento.
A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido sob os planos ósseos e musculares, sem acumulação supérflua de gorduras de reserva.
Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.
Nas criações de eqüinos para esporte ou corrida, a precocidade é de interesse excepcional em razão das primeiras competições.
O crescimento ou ganho de peso vivo é observado por um período determinado para calcular a velocidade de crescimento. Ele é, sobretudo, sensível ao nível energético da alimentação.
A total expressão do potencial genético, notadamente quando de uma alimentação perfeitamente equilibrada, traduz-se por uma curva ideal de crescimento com um ponto de inflexão quando da puberdade do animal.
A curva prática de crescimento se aproxima da curva ideal sempre que a égua é uma boa gestante e, ao final do aleitamento, se ela foi uma boa lactante.
Quando a complementação concentrada é insuficiente, ou quando a curva láctea da égua baixa rapidamente, sabendo-se que as necessidades do potro continuam aumentando, observa-se o distanciamento de uma curva da outra.
A mais forte razão deste distanciamento vem sempre em seguida a um desmame mal preparado, onde o potro sofre freqüentemente uma “crise de crescimento”.
Uma alimentação insuficiente ou desequilibrada provoca uma redução geral da precocidade.
Como o período de desenvolvimento máximo dos tecidos é relativamente curto, a recuperação, no caso de insuficiência nutricional, torna-se bastante limitada e rapidamente irreversível.
O tecido ósseo é o primeiro a ser afetado, em razão de ser o mais precoce. A incidência de problemas ósseos nos potros e cavalos jovens testemunha a seqüência de má nutrição nas diferentes criações, mesmo naquelas com linhagens superiores.
Do mesmo modo, um desequilíbrio no aporte de fósforo e cálcio para o animal jovem, por uma subalimentação, retarda o desenvolvimento dos dentes definitivos, antes de nos mostrar problemas do esqueleto. Sendo assim, o controle da data de emergência dos dentes definitivos nos daria uma boa idéia da real precocidade e a qualidade destes dentes seria um critério da satisfação das necessidades minerais deste potro.
Convém então adaptar a alimentação quantitativa e qualitativamente ao potencial genético de crescimento e desenvolvimento dos tecidos magros de cada indivíduo.
Caso a subalimentação seja moderada ou transitória, ela provoca um baixo crescimento, dando lugar, tão logo se normalize a situação, a uma recuperação rápida um pouco perto do ideal, fenômeno conhecido como “ganho compensatório”. Trata-se de um certo retardo do crescimento.
Se a subalimentação é mais grave, por um bom tempo, com crescimento fortemente reduzido ou mesmo estagnado, a recuperação posterior será incompleta e o tamanho do indivíduo estará diminuído de forma definitiva, mesmo que se eleve posteriormente o nível de arraçoamento.
Assim também, a superalimentação é inútil e perigosa. Ela não pode forçar ao desenvolvimento dos tecidos magros onde ele é limitado pelos potenciais genéticos do indivíduo, pela idade e, pior ainda, pelos desequilíbrios alimentares que alteram o anabolismo protéico.
Assim, os potros complementados exclusivamente com cereais, são expostos a deficiências em aminoácidos essenciais que restringem o crescimento ósseo e muscular, favorecendo a obesidade.
O crescimento máximo, perceptível em um potro que cuja altura se destaca em relação aos demais, leva ao aparecimento de problemas ósseos que podem comprometer em definitivo o desempenho e utilização do animal quando adulto.
Desta forma, deve-se limitar o fornecimento de alimento às reais necessidades dos animais, e não a quanto o animal puder ingerir.
Também deve-se limitar a ingestão de alimentos ricos em energia e proteína além das necessidades do animal, assim como o acesso ‘ad libitum’ a forrageiras leguminosas, como alfafa, que podem predispor o animal a problemas desenvolvimentares, como as epifisítes, osteocondrites e osteocondroses, hoje reunidas em um grupo de enfermidades denominadas Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares (DOD’s)
Nos desequilíbrios minerais causados por superalimentação, o potro corre o risco de alterar definitivamente um esqueleto bem desenvolvido e sólido. Isso fica evidente na alimentação com aveia (ou outro grão) em complemento exclusivo com as forragens como alfafa, onde não deve haver o melhor desenvolvimento atlético do potro, mesmo que ele tenha um excelente crescimento ponderal.
André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Vice-Presidente ABCC Bretão
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