
ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL
A avaliação do ECC é um método prático e simples que não necessita de equipamentos, se baseia em indicadores de gordura corporal que ajudam a estimar a quantidade de energia armazenada no corpo do animal (Henneke et al, 1983).
O ECC é resultado do balanço energético do animal, ou seja, diferença entre consumo e gasto de energia. Diversos fatores podem afetar o ECC, como disponibilidade de alimento e água, intensidade e frequência de trabalho, problemas parasitários e dentários e manejo alimentar em geral.
Westervelt et al (1976) foram um dos primeiros pesquisadores a realizar um estudo na predição da quantidade de gordura corporal em cavalos e pôneis através de ultrassonografia na garupa. Estes autores comprovaram a eficácia deste método, devido à alta correlação obtida entre a espessura de gordura subcutânea na garupa e os valores obtidos mediante análise química da carcaça dos animais.
Em 1983, Henneke et al desenvolveram uma escala de condição de escore corporal baseada na observação da aparência do animal e palpação da gordura em oito áreas do corpo dos equinos: crista do pescoço, cernelha, costelas, parte posterior da paleta, linha do dorso/lombo, área da inserção da cauda e projeção do íleo e ísquio.
Esta escala numérica varia do número 1 (animal excessivamente magro) até 9 (animal excessivamente obeso), sendo o número 5 (moderado) o valor de escore corporal considerado ideal para a obtenção da máxima eficiência reprodutiva das éguas (NRC, 2007).
Este método, quando devidamente aplicado, não é influenciado pelo tamanho, conformação, perímetro torácico, altura, características da pelagem ou estágio fisiológico, pois Henneke et al (1983) encontraram correlação positiva entre o escore corporal e a porcentagem de gordura no corpo do animal, confirmando a hipótese de que este sistema considera o animal como um todo e não apenas medidas individuais.
Em 1988, Carroll & Huntington desenvolveram um método capaz de determinar o peso corporal de equinos a partir da correlação existente entre altura e condição corporal baseada no sistema de escore corporal desenvolvido por Leighton-Hardman (1980), cuja escala numérica varia de 0 (muito magro) até 5 (muito obeso).
Gentry et al (2004) afirmam que o acúmulo de gordura subcutânea dos equinos é maior na região da cauda do que em qualquer outra parte do corpo e, quanto mais cranialmente à esta região, menor é a deposição de gordura.
De acordo com a variação do peso do animal, o primeiro local onde a gordura subcutânea será armazenada ou utilizada, é na região da cauda. A gordura subcutânea também aumenta ou diminui conforme o ganho ou perda de condição corporal, porém, nas costelas, esta mudança é de pequena magnitude quando comparada à região de inserção da cauda (Gentry et al, 2004).
TABELA – Esquema de escore corporal em equinos
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ESCORE |
DESCRIÇÃO |
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1 – EMACIADO |
Processo espinhoso, costelas, inserção da cauda, íleo e ísquio proeminentes. Estruturas ósseas da cernelha, espádua e pescoço facilmente visíveis. Não se observa presença de gordura em nenhuma parte do corpo do animal. |
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2 – MUITO MAGRO |
Gordura cobrindo a base dos processos espinhosos. Extremidades dos processos transversos das vértebras lombares arredondadas. Costelas, inserção da cauda, íleo e ísquio proeminentes. Estruturas ósseas da cernelha, espádua e pescoço menos visíveis. |
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3 – MAGRO |
Gordura cobrindo a metade dos processos espinhosos. Processos transversos das vértebras lombares não são palpáveis. Pouca gordura cobrindo as costelas. Processo espinhoso e costelas facilmente visíveis. Inserção da cauda proeminente, porém, as vértebras não são visíveis. Íleo e ísquio arredondados, porém ainda visíveis. Estruturas ósseas da cernelha, espádua e pescoço menos visíveis. |
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4 – MODERADAMENTE MAGRO |
Sulco ao longo da região lombar. Espaço entre as costelas visíveis. Gordura pode ser palpada na inserção da cauda, e sua proeminência depende da conformação do animal. Íleo e ísquio não são visíveis. Estruturas ósseas da cernelha, espádua com alguma cobertura de gordura. |
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5 – MODERADO (IDEAL) |
Costelas não são visíveis, porém, facilmente palpadas. Gordura na inserção da cauda se torna esponjosa. Cernelha arredondada, cobrindo o processo espinhoso. Espádua e pescoço ligados suavemente ao corpo do animal. |
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6 – MODERADAMENTE GORDO |
Pode haver um sulco suave ao longo do dorso/lombo. Gordura cobrindo as costelas. Gordura mais macia na inserção da cauda. Gordura começa a ser depositada atrás e sobre a espádua e pescoço. |
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7 – GORDO |
Pode haver um sulco suave ao longo do dorso/lombo. Costelas podem ser palpadas individualmente, com depósito de gordura entre elas. Gordura mais macia na inserção da cauda. Gordura depositada atrás e sobre a espádua e pescoço. |
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8 – OBESO |
Depressão ao longo do dorso/lombo. Costelas são difíceis de serem palpadas. Gordura na inserção da cauda torna-se muito macia. Área ao redor da cernelha e atrás da espádua com muita gordura. Pescoço espesso. Gordura depositada na parte interna e posterior das patas traseiras do animal. |
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9 – MUITO OBESO |
Depressão evidente ao longo do dorso/lombo. Acúmulo de gordura sobre as costelas, formando placas. Acúmulo de gordura na inserção da cauda, atrás da espádua e pescoço, formando dobras na pele. Gordura depositada na parte interna e posterior das patas traseiras do animal, formando dobras. |
Abaixo, fotos que exemplificam cada valor dentro da escala de condição corporal de Henneke et al (1983):

















Paula Gomes Rodrigues
Zootecnista – Mestranda em Produção Animal / Equinos (UFLA)
Camila de Moraes Raymundo
Zootecnista – Mestranda em Produção Animal / Bovinos (UFLA)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARROLL, C. L.; HUNTINGTON, P. J. Body condition scoring and weight estimation of horses. Equine Veterinary Journal. 1998. 20 (1): 41-45.
HENNEKE, D. R.; POTTER, G. D.; KRIEDER, J. L.; YEATS, B. F. Relationship between body condition score, physical measurements and body fat percentage in mares. Equine Vet. J. 15:371-2. 1983.
LEIGHTON-HARDMAN, A. C. Equine Nutrition. Pelham Books, London. 1980. p.09-17.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). 2007. Nutrients Requeriments of Horses. Washington, DC: National Academy Press.
WESTERVELT, R. G.; STOUFFER, J. R.; HINTZ, H. F.; SCHRYVER, H. F. Estimating fatness in horses and ponies. 1976. J Ani Sci. 43(4): 781-785.
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