
Maria Claudia Martins Guerra Miranda
Paula Gomes Rodrigues
Nutrição e manejo alimentar
O manejo alimentar das éguas e consequentemente os fatores nutricionais influenciam diretamente a composição do leite. Os teores de gordura, energia, proteína e minerais presentes no leite, podem ser alterados em função das respectivas quantidades de nutrientes fornecidos pelas dietas.
Pagan e Hintz (1988), avaliando a composição de leite de éguas pôneis alimentadas com dietas contendo níveis crescentes de energia digestível, verificaram que o aumento no nível de energia da dieta promoveu um aumento significativo do teor de gordura do leite e que o teor de energia bruta do leite aumentou com o aumento da ingestão de energia da dieta.
Salimei et al. (1996), avaliando a influência da suplementação dietética com óleo de fígado de bacalhau sobre a composição do leite, observaram que houve um aumento no teor de gordura do leite das éguas, em consequência dessa suplementação.
Doureau et al. (1993), avaliando a composição do leite de éguas em função do estado corporal, observaram que éguas em bom estado corporal produziram uma maior quantidade diária de gordura no leite em comparação com éguas magras, com valores de 252 e 187 g/dia, respectivamente. Estes autores também observaram que o leite das éguas de melhor estado corporal continham maior quantidade de ácidos graxos de cadeia curta e média. Comportamento contrário foi observado para os teores de proteína, que foram mais elevados no leite das éguas mais magras. Portanto, o escore corporal de éguas lactantes influencia diretamente na sua produção de leite assim como no desempenho do potro.
Fica claro que éguas alimentadas com dietas contendo altos níveis de energia e proteína tendem a produzir leite com teores mais elevados de gordura e proteína, além de produzirem maior quantidade de leite, e esta condição pode afetar diretamente o desenvolvimento dos potros lactentes.
Estádio de lactação
Há uma tendência de redução da concentração de todos os constituintes do leite ao longo da lactação, com exceção da lactose. Segundo Doreau et al. (1991), a lactose é o maior fator controlador da pressão osmótica do leite e a concentração de lactose não varia com a dieta na maioria dos animais. Contudo, de acordo com os mesmos autores, este constituinte poderá variar, quando os animais recebem dietas pobres em glicose. Num estudo realizado com éguas, Smolders (1990) observou que, a partir da terceira semana de lactação, o teor de gordura do leite foi inferior a 1,0% e que somente a lactose apresentou uma tendência crescente, até os noventa dias de lactação.
Estudando a composição do leite, em éguas da raça Bretão Postier, Doreau et al. (1991) observaram que os teores de proteína bruta e de minerais diminuíram, enquanto que o teor de lactose aumentou, ao longo do período de lactação. Cabrera et al. (1990) verificaram a mesma tendência para os constituintes do leite, ao longo do período de lactação.
O colostro, segundo Asai et al. (1995), por ser mais rico em minerais desempenha uma importante função na estrutura óssea dos potros.
Burns et al. (1992), avaliando a quantidade de energia presente no leite de éguas da raça Quarto de Milha, observaram que a concentração de energia do leite diminuiu de 576 para 336 Kcal/kg desde o pico até o final da lactação, enquanto que Ulrrey et al. (1966), avaliando a composição de leite de éguas das raças Árabe e Quarto de Milha, observaram teores de PB variando de 3,8 para 2%, do pico até o final da lactação.
Santos (2003) observou uma evolução quadrática para os constituintes do leite em éguas da raça Mangalarga Marchador, sendo esta, crescente para a lactose e decrescente para proteína, gordura e energia.
Referências Bibliográficas
ASAI, Y.; KATSUKI, R.; MATSUI, A.; NANBO, Y. Effect of rations and mineral concentrations of Thoroughbred mare’s colostrum. Journal of Equine Science, 6(1): 21-24, 1995.
BURNS, H. D.; GIBBS, P. G.; POTTER, G. D. Milk energy production by lactating mares. Journal Equine Veterinary Science, 10(2): 118-120, 1992.
CABRERA, L.; FERNANDES, L. C., MORAES, C. M. M. Composição de leite de éguas PSI e desenvolvimento ponderal de suas crias. A Hora Veterinária, 10(55), 1990.
DOREAU, M.; BOULOT, S.; BAUCHART, D.; BARLET, J. P.; MARTIN-ROSSET, W. Voluntary intake, milk production and plasma metabolites in nursing mares fed two diferents diets. Journal of Nutrition, v. 122, p. 992-999, 1991.
DOREAU, M.; BOULOT, S.; CHILLIARD, Y. Yield and composition from lactating mares: effect of body condition at foaling. Journal of Dairy Research. 60: 457-466, 1993.
PAGAN, J. D.; HINTZ, H. F.Composition of milk from ponymares fed various levels of digestible energy. Cornell Veterinarian, 76(2): 139-148, 1988.
SALIMEI, E.; BONTEMPO, V.; DELL’ORTO, V. Nutritional status of the foals related to the ages and to the mares’ feeding. Pferdeheikunde, 12(3): 245-248, 1996.
SANTOS E. M. Produção e composição de leite de éguas e desenvolvimento de potros da raça Mangalarga Marchador. Dissertação de Mestrado em Zootecnia. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, p. 49, 2003.
SMOLDERS, E. A. A. Composition of horse milk during suckling period. Livestock Production Science. 25: 163-171, 1990.
ULRREY, D. E.; STRUTHERS, R. D.; HENDRICKIS, D. G.; GRENT, B. E. Composition of mares’ milk. Journal of Animal Science, 25(1): 217-221, 1966.
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