
por Maria Claudia Martins Guerra Miranda
O Equino é um animal com grande capacidade para o trabalho físico, sendo utilizado para o trabalho em fazendas, a pratica de esportes, como meio de transporte, como meio de tração, ou ainda para o lazer. As bases fisiológicas que realizam o trabalho muscular dos eqüinos são bem próximas às do homem e são caracterizadas principalmente por: Contração muscular, Metabolismo energético, Respiração, Circulação e Dissipação de calor.
São animais versáteis e por isso suas necessidades nutricionais irão variar de acordo com o tipo de trabalho que o animal esta executando. Então, cada categoria animal devera receber uma quantidade de alimento que supra as suas necessidades energéticas (Morgado e Galzerano, 2006).
Os lipídeos podem ser utilizados como fontes alternativas de energia prontamente disponível para os eqüinos, tendo a vantagem de que a grande maioria é um alimento palatável para os eqüinos. Porem o valor dietético irá variar de acordo com a estrutura química dos triglicerídeos e dos Ácidos Graxos de cadeia longa.
São ainda uma alternativa eficiente para suprir as exigências energéticas de animais com alta exigência energética. Isso porque o uso de grandes quantidades de carboidratos podem gerar conseqüências indesejáveis tais como: laminite e cólica.
Meyer (1995) mostrou que o excesso de CHO’s de fácil fermentação causam alterações da flora no intestino grosso levando a um aumento da produção de ácidos (principalmente o lático), formação de gases, tais fatores estão associados com uma digestão irregular do alimento.
Uso de óleos para alimentação de eqüinos visa:
Necessidades de energia dos eqüinos
Os eqüinos são herbívoros monogástricos já que seu aparelho digestivo é composto por um estomago simples e pequeno e o intestino grosso extremamente desenvolvido principalmente o ceco. No ceco eqüino existe uma microbiota semelhante à do rúmen que possuem a capacidade de quebrar os carboidratos estruturais do alimento volumoso utilizando-os como fonte de energia. Os carboidratos não-estruturais, tais como amido, maltose e sacarose são fontes primárias de energia e são hidrolisados e absorvidos como glicose no intestino delgado. O fornecimento de grandes quantidades de amido na dieta dos eqüinos compromete sua digestão no intestino delgado, aumentando o aporte de carboidratos rapidamente fermentáveis no ceco-cólon aumentendo grandemente o risco de laminites e de manifestações de cólica.
As necessidades energéticas variam de forma significativa entre os eqüinos e são calculadas em função da categoria animal, função, peso vivo e condição corporal.
A partir do NRC (1989) e NRC (2007) a estimativa da exigência energética para eqüinos é feita a partir do cálculo da Energia Digestível (ED).
Um sistema baseado na energia líquida para cavalos tem sido estudado na França. Os sistemas baseados na energia líquida fornecem explicação mais detalhadavdo catabolismo de energia, mas são complexas e requerem algumas informações que ainda não disponíveis para eqüinos devido a falta de estudos sobre o assunto. O sistema é ED menos detalhado, mas também menos complicado e, portanto, é mais fácil de aplicar em diversas situações práticas. Os requisitos de ED diário de cavalos pode ser dividido em duas categorias gerais: manutenção da energia e energia produtiva. Esta última envolve a energia necessária para o ganho de peso, produção de leite, o acúmulo de tecido fetal ou no trabalho. Para a maioria dos cavalos, mais energia é gasta na mantença do que em “produção”. Por isso uma estimativa precisa da energia de mantença é muito importante. É também muito difícil já que a população eqüina é muito diversificada. Alem disso, a exigência de mantença de um cavalo é afetada por vários fatores como: idade, tamanho do corpo adulto, temperamento, composição corporal e as condições de habitação. As equações de ED levam em conta o peso do animal, nível de trabalho para animais adultos em desenvolvimento de atividade atlética ou em mantença.
Os fatores que alteram a necessidade energética dos eqüinos são:
O trabalho de Harkins et al. (1992) apresenta uma dieta contendo acima de 30% da energia líquida na forma de lipídeos, sem causar problemas digestivos aos equinos.
A adição de óleo eleva a densidade energética da dieta, mas não altera o volume da mesma.
Níveis de lipídeos na dieta dos eqüinos
Um percentual de 13-15% de fibra bruta deve estar presente na dieta dos eqüinos para que ocorra a manutenção do transito da digesta e função normal do ceco-colon, portanto dietas exclusivamente a base de concentrados não são indicadas a eqüinos devido ao seu sistema digestório peculiar.
O conteúdo normal de lipídios em dietas de eqüinos é de aproximadamente 5% na matéria seca (MS). Em concentrados comercias encontra-se entre 3-6% na MS de lipídeos e, para uma perfeita peletização a ração eqüina a quantidade de lipídio em concentrado deverá ser de 2-3% (Beynem e Hallebeek, 2002).
Rezende (2002) em sua pesquisa cita que o principal beneficio da introdução de lipídios na dieta eqüina é fornecer maior quantidade de energia quando já se alcançou a taxa máxima de consumo de MS.
Resende (2002) ainda cita Hoyt et al. (1995) em seu trabalho. Segundo este último se a proporção feno:concentrado for constante, a ingestão de alimentos diminui com aumento da suplementação de lipídeos, sendo esta ingestão cerca de 1,5-1,6% menor que o consumo normal.
Em seu livro Mayer (1995) afirma que ate 15% de lipídeos podem ser misturados ao alimento de cavalos cuja rotina demanda uma alta atividade física. Afirma também que ate 2,5g/Kg PV/dia de lipídeo de boa qualidade pode ser administrado para eqüinos em reprodução ou em serviço, desde que divididos em varias refeições, sem causar distúrbios de saúde.
Nos resultados obtidos por Beynen e Hallebeek (2002) pode-se observar que a ingestão de alimento foi aumentada quando os cavalos foram alimentados com dietas com alto teor lipídico. Para esses autores o conteúdo de lipídio de uma dieta esta relacionado com a quantidade de feno ou forragem. Esses autores ainda relataram que teores acima de 8% de lipídio na matéria seca só podem ser alcançados quando são acrescentados óleos puros à dieta, e que deve-se levar em conta que o lipídio extra na ração aumenta sua densidade energética, sendo menor a quantidade de matéria seca exigida para manter a exigência de energia do cavalo.
Alguns autores estudaram a porcentagem de óleo ou lipídeo que pode ser incluído na dieta dos eqüinos:
Produção e utilização de energia
Para que um animal possa desempenhar um trabalho muscular, fisiologicamente, deverá ocorrer uma conversão de energia química em contração muscular. A habilidade de um animal desempenhar um trabalho de alta intensidade ou um trabalho com tempo prolongado é conhecida como condicionamento. Esse condicionamento é influenciado por fatores como: metabolismo energético, função neuromuscular (treinamento) e a capacidade de suprir e utilizar a energia.
A taxa na qual a energia é suprida e disponibilizada para a contração muscular é que fornece a capacidade de trabalho de um animal. As formas diretas de produção de ATP ocorrem a partir da quebra da creatina-fosfato (CP) e pela ação da mioquinase. O músculo contem pequenas quantidades de CP e ATP, então, esses suprimentos exaurem-se após pouco tempo de exercício, sendo necessário então que o ATP seja sintetizado na mesma quantidade que é utilizado para as provas de resistência (enduro, Concurso Completo de Equitação).
A desfoforilação do ATP em ADP é a única fonte que fornece a energia necessária para a contração muscular.
ATP + H20 miosina ATPase ADP + Pi + H+ + Energia
Quando o trabalho muscular começa a energia e fornecida pelas reservas de ATP do músculo. Essa fonte energética deve ser renovada, portanto o ADP deverá ser fosforilado tornando-se ATP novamente. A fosfato creatina é a responsável por essa renovação através das reações abaixo:
Fosfocreatina + ADP Creatinaquinase Creatina + ATP
2 ADP Mioquinase ATP + AMP
Ela proporciona uma fonte de energia instantaneamente disponível para
um esforço de intensidade alta. Esta é uma fonte rápida, porém efêmera de energia que, juntamente com o ATP armazenado dura em torno de 6 a 8 segundos quando os músculos estão sendo exigidos ao máximo. Sendo necessária que a regeneração do ATP venha de outras vias de produção de energia como: a via aeróbica e a via anaeróbica.
Segundo Lewis (1995) os eqüinos apresentam 3 tipos de desempenho atlético ou exercício físico:
As causas exatas que levam à fadiga muscular não estão bem definidas, entretanto, acredita-se que fatores como:
Como a fadiga tem uma relação estreita com a queda do nível muscular de glicogênio com conseqüente acúmulo de lactato, para evitá-la deve-se procurar manter esta reserva de energia. Este objetivo pode ser conseguido através da manipulação da dieta e do condicionamento físico do animal.
Digestão e absorção dos lipídeos
Nos eqüinos, a composição da gordura corporal é mais influenciada pela composição do lipídio dietético do que nos ruminantes, o que sugere que os lipídios são digeridos e absorvidos no intestino delgado antes da ação das bactérias presentes no intestino grosso.
A maior parte dos lipídios na dieta estão na forma de triglicerídios que constituem compostos de uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos de cadeia longa. Segundo MEYER (1995) dependendo da constituição, os lipídios são primordialmente digeridos e absorvidos no intestino delgado dos eqüinos. Os lipídeos da dieta são altamente digeríveis, no entanto, existem alguns fatores que influenciam a absorção dos mesmos pelo intestino delgado, tais quais:
A digestão dos lipídios é iniciada na base da língua, pela ação da lípase lingual. No estomago, esse bolo junta-se à lipase gástrica e hidrolizam os lipídios formando uma emulsão no estômago. No duodeno ocorre a liberação dos sais biliares que promovem a emulsificação dos lipídeos facilitando a ação da Lipase pancreática, que por sua vez é responsável pela lipólise.
Na espécie eqüina a vesícula biliar é ausente, portanto, a bile é continuamente secretada no intestino delgado, exceto em jejuns maiores que 12 horas, promovendo uma contínua emulsificação do lipídio da dieta. Isso aumenta a superfície de contato entre água e a lipídio, facilitando a ação da lipase pancreática, em presença do cofator colipase para hidrolisar os lipídios em ácidosgraxos e monoglicerídios. A ligação dos sais biliares com os ácidos graxos e monoglicerídeos formam as micelas, que são mais solúveis em água e como conseqüência, mais absorvíveis. As micelas formadas entram em contato com as microvilosidades da parede do epitélio intestinal e liberam os monoglicerídeos, ácidos graxos, colesterol e vitaminas lipossolúveis para o interior da mucosa. Na parede da mucosa intestinal, ocorre a reesterificação dos ácidos graxos e monoglicerídeo ou glicerol, que juntamente com fosfolipídios, ésteres de colesterol, colesterol e apolipoproteínas formam os quilomícrons, que são prontamente absorvidas para dentro do sistema linfático transportando trigliceróis, fosfolipídios, colesterol e ésteres do colesterol, para vários órgãos e tecidos, para serem utilizados como fonte de energia ou reservas de energia.
Digestibilidade dos nutrientes das dietas
Meyer (1995) cita que a digestibilidade do lipídeo alcança 90% ou mais e, é maior em lipídeos com ponto fusão baixo, como os óleos vegetais. Quando grandes quantidades de lipídeo são colocadas na ração ocorre inibição da flora e diminuição da digestão da celulose, quando da passagem do mesmo pelo intestino grosso.
Existem controvérsias sobre a influencia da alta ingestão de lipideos e a digestibilidade dos nutrientes da dieta como pode ser observado pelos trabalhos de:
Os resultados contraditórios provavelmente estão relacionados ao fato de que o baixo ou alto teor de lipídio na usadas em vários estudos diferem com respeito aos componentes da dieta, inclusive os teores de fibra bruta. Uma mudança na ingestão de fibra pode afetar a porcentagem da digestibilidade aparente da fibra assim como a taxa de passagem de digesta que pode ser alterada e assim, a microflora será exposta a uma mudança na quantidade de substratos fermentáveis.
No trabalho de Jansen et al (2000), os mesmos concluem que a utilização de óleo alteram a digestibilidade porque afetam a taxa de passagem inibindo o desenvolvimento da microflora do intestino grosso e reduzindo a capacidade de fermentação das bactérias celulolíticas.
Já Hintz (1997) acredita que ocorre adaptação enzimática somente após 30 dias de consumo do óleo, o que pode ser a razão pelo qual existam resultados contraditórios quanto à digestibilidade dos nutrientes da dieta com inclusão de óleo.
Considerações finais
O Óleo é uma fonte de energia prontamente disponível para o consumo. As exigências energéticas variam de forma significativa dependendo do: peso vivo, condição corporal, idade, tipo e intensidade do exercício, categoria animal.
Para animais com alta exigência de energia como aqueles de trabalho intenso existem vantagens na utilizar óleo ao invés de CHO´s uma vez que, os óleos não geram conseqüências indesejáveis como a laminite ou cólica.
A incorporação de óleo na dieta dos eqüinos tem por finalidades:
Referencial teórico
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