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A importânciados cascos para os equinos.

A IMPORTÂNCIA DOS CASCOS PARA OS EQUINOS

 

 Por Paula Gomes Rodrigues

 

 

O casco é o estojo córneo que recobre a parte terminal do membro locomotor do cavalo, sendo que os anteriores são maiores e mais oblíquos do que os cascos posteriores.

O casco é uma parte insensível que tem a denominação de escudo do pé que necessita de uma completa estrutura anatômica para que, durante toda a vida do animal, seja capaz de sustentar e atenuar as pressões e reações dos movimentos dos eqüinos. Além disso, os eqüídeos utilizam os cascos como meio de defesa, por meio dos coices, movimentos rápidos e potentes.

Potros recém nascidos possuem cascos pontiagudos, estreitos, flexíveis e cobertos com um invólucro delicado e córneo, o qual cai em poucos dias permitindo o início do desenvolvimento do verdadeiro casco. O exame freqüente dos cascos dos potros e sua manutenção irá auxiliar seu perfeito desenvolvimento.

O casco dos eqüinos é composto, basicamente, pela parede ou muralha, sola e ranilha, como pode ser observado na Figura 1.

 

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Figura 1 – Partes anatômica dos cascos. Vista plantar (sola – 1A) e vista lateral (1B). Sendo: a = parede ou muralha, b = sola, c = ranilha.

 

            A parede do casco é a parte visível quando o cavalo está parado, protege a frente e os lados da terceira falange e está subdividida em pinça (parte dorsal e frontal), quartos (laterais) e talões. Nos membros anteriores, o casco é mais espesso próximo às pinças e vai afinando conforme se aproxima dos quartos. Ao contrário, nos membros posteriores, a espessura das paredes é uniforme (Douglas et al., 1996, Dejardim et al., 2000). A sola e a ranilha são visível somente quando o casco está elevado. Pode-se ainda observar as barras, o vértice e o sulco da ranilha, os talões, entre outras estruturas do casco observadas na sola do eqüino.

Em se tratando de cavalos domesticados, a grande maioria tem sido vítima dos métodos empíricos e anti-naturais de aparação de cascos e ferrageamento, com características que contrariam o processo natural de sustentação mecânica do cavalo. As estatísticas mostram que de cada 100 problemas diagnosticados nos locomotores, 80% estão nos membros anteriores, responsáveis pelo sustentação de 65 a 70% do peso vivo do cavalo, e a grande maioria do joelho para baixo. A grande causa destes problemas é a falta de alinhamento do sistema digital devido ao ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta com a horizontal.

Os principais erros observados em casqueamentos e ferrageamentos relaizados de maneira inadequada são:



 

  • Remoção das barras pelos casqueadores, que desconhecem as suas funções. As barras são a continuações da muralha de sustentação e têm a finalidade de transmitir o peso para a perifieria do casco e de constituir um escoramento ideal para impedir o estreitamento dos talões e bulbos. A ausência de barras concentra o peso sobre os talões e ranilha;

 

  • Perda da concavidade da sola, que se tornam grossas e planas, sem muita flexibilidade e capacidade para absorver choques e sustentar o peso. A falta de concavidade diminui as ações de expansão e contração dos cascos;

 

  • A angulação entre o casco e o sistema digital não é considerada e comparada com a condição anatômica ideal do cavalo, que é dada pelo ângulo da escápula, o animal não tem o plano de sustentação ideal, colocando o casco de forma inadequada no solo. Esta condição, aliada à condição cascos desbalanceados, com metades desiguais, é conhecida como desbalanceamento médio-lateral. A parte do casco que toca o solo por último é a que se desgasta mais, porque recebe maior esforço e atrito durante o movimento. O desbalanceamento é a causa de cascos tortos, dos vícios de movimentação dos locomotores e dos problemas de aprumos. O casco balanceado deve ter as metades iguais e os comprimentos entre cada talão até a pinça também devem ser iguais;

 

  • A abertura dos canais da ranilha (lateral, central e medial), que são fundamentais para o arejamento da sola (maior entrada de ar), facilitar o movimento de abre e fecha dos talões do casco e do trabalho de dilatação da ranilha. Quando o canal central da ranilha fica fechado podem ocorrer pododermatites exudativas, que amolecem a ranilha provocando mau cheiro e prejudicando a performance do animal, sobretudo em piso de areia.

 

Casqueamento mal feito pode prejudicar seriamente o andamento e a funcionalidade de qualquer cavalo além de aumentar os riscos de lesões, principalmente, quando as estruturas e o ângulo dos cascos em relação às partes do cavalo não são respeitados. Alterações na conformação natural dos cascos podem alterar o andamento correto do animal:

 

 casco2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caso A: cascos aparados naturalmente com os ossos digitais alinhados (ideal). O movimento do casco acontece em semi-círculo, com o centro abaixo do plano do solo. Sendo que o auge do movimento, ou momento de maior elevação, se dá exatamente em frente ao locomotor contrário que se encontra apoiado. Nesta condição o cavalo anda com elegância, avante e com o seu rendimento máximo.

 

Caso B: casco com ângulo menor que o ângulo da paleta (achinelado). O tendão flexor profundo está mais esticado do que o normal, o animal eleva o casco de maneira excessiva, no início do movimento. O andamento fica deselegante e o rendimento prejudicado em função do alçamento.

 

Caso C: ângulo do digital é maior do que o ângulo da paleta (casco fincado). O tendão extensor fica sobretensionado. Quando o animal eleva o casco do chão o tendão extensor tende a aliviar seu esforço, e acaba adiantando o ponto máximo da trajetória do movimento. Neste caso, o animal tem andamento rasteiro e chuta a grama ou o chão com a ponta do casco. Este andamento é muito comum nos posteriores dos muares.

 

            Cavalos que se alcançam (sobre-pegada) têm alcance do casco posterior (caso C) sobre o casco anterior (caso B). A maior parte dos problemas de casco causados por casqueamento incorreto é possível ser corrigida, a aparação consciente dos cascos evita muitos problemas de locomoção dos cavalos atletas, que podem, ainda, resultar em afecções do sistema locomotor.

A Tabela 1 indica que cada grau de achinelamento equivale a dezenas de quilogramas de peso a mais nos tendões flexores. Os valores foram estimados para um cavalo atleta de porte médio (500 Kg de peso vivo). Estes efeitos podem ser mais intensos nos animais preparados para hipismo e animais de tração de grande porte.

 

Tabela 1 - Alívio nos tendões anteriores de animal de 500 Kg de peso vivo com 350Kg nos anteriores (em repouso), com condição anatômica de 60 graus (inclinação de escápula) e cascos anteriores de comprimento 15 cm. *

 

Ângulo Digital

Alçamento em graus

Alívio tendões (Kg)

Alívio (%)

40

40>>60 = 20

129,5

37

45

45>>60 = 15

112,0

32

50

50>>60 = 10

87,5

25

55

55>>60 = 5

49,0

14

58

58>>60 = 2

17,5

5

59

59>>60 = 1

10,5

3

(*) Fonte A. P. Toledo – www.toledohorse.com.br.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

DEJARDIN, L. M.; ARNOCZKY, S.; CLOUD, G. L.; STICK, J. A. On 4-point trimming. Journal of Equine Veterinary Science, n. 20, p. 442, 2000.

 

DOUGLAS, J. E.; MITAAL, C.; THOMASSON, J. J.; JOFRIET, J. C. The modulus of elasticity of equine hoof wall: implications for the mechanical function of the hoof. Journal of Experimental Biology, v. 199, p. 1829-1836, 1996.

 

www.toledohorse.com.br. Acessado em: 22/09/2009.

 

http://www.saudeanimal.com.br/casco.htm. Acessado em: 22/09/2009.

 

 

 

 

PAULA GOMES RODRIGUES

MSc. EM PRODUÇÃO ANIMAL (UFLA)

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