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O crescimento do potro.

 

 

 

Paula Gomes Rodrigues e Maria Cláudia M. Guerra Miranda

 

 

potro_paula            Ao nascer, o potro já apresenta um considerável tamanho em relação ao animal adulto, o crescimento em comprimento de seus membros é extremamente adiantado, como pode ser observado na FIGURA 1.

Na criação de cavalos, uma das principais preocupações é a obtenção de taxas de crescimento apropriadas aos potros. Os fatores que influenciam a composição e a taxa de crescimento são: genética, exercício e nutrição (Freeman, 1990). Porém, deve ser levado em consideração que há uma diferença entre desenvolvimento máximo e ótimo dos animais. Segundo Freeman (1990) cuidados especiais devem ser tomados na seleção de potros com maior taxa de crescimento, pois pode ocorrer uma maior incidência de problemas ósseos. A taxa de crescimento ósseo e muscular adequada ainda é muito debatida, pois alguns cavalos podem apresentar desenvolvimento mais lento do que outros, de modo que a relação de crescimento de ambos os sistemas seja coordenada. Muitos problemas relacionados ao crescimento podem ser prevenidos quando dispomos do conhecimento da curva de crescimento de cada raça e suas variações.

Yamamoto et al (1993) acreditam que, alguns fatores podem interferir sobre as medidas de crescimento dos animais, como o manejo em cada propriedade e o tamanho da égua, que demonstrou ter efeito positivo sobre as medidas corporais e ganho de peso dos potros, ou seja, o crescimento e ganho de peso são maiores em potros nascidos de éguas maiores.

De acordo com Meyer (1995) uma baixa intensidade alimentar resulta em crescimento lento e pouco depósito de gordura; uma alimentação forçada, até o limite da capacidade de ingestão de alimento proporciona intenso ganho de peso diário e acentuado depósito de gordura.

A alimentação extensiva de potros leva ao desenvolvimento lento do organismo, e aumento no custo com a alimentação, isto ocorre porque o gasto com alimentação para sua posterior manutenção será maior. O desenvolvimento do esqueleto e órgãos não é influenciado negativamente por este sistema de alimentação. Potros sadios de crescimento lento não ficam atrás de potros alimentados de maneira intensiva, quando se comparam as medidas finais (Yamamoto et al, 1993).

Em compensação, animais alimentados de maneira intensiva podem ser utilizados mais precocemente para reprodução e trabalho. Contudo, estimular o crescimento de maneira intensa apresenta alguns riscos, pois o desenvolvimento e a maturação dos tecidos não são estimulados na mesma intensidade. Enquanto que o aumento da massa dos tecidos moles, da musculatura e de gorduras (quando a capacidade de síntese protéica do potro é excedida) podem ser estimulados por um plano de alimentação intensivo, o desenvolvimento e a maturação dos ossos e cartilagens é acelerado de maneira discreta e limitado.

As necessidades em energia e proteína de potros em crescimento são influenciadas pela composição do aumento em peso. Enquanto que nos primeiros meses de vida o teor em proteínas tem um aumento mais pronunciado, com o decorrer do tempo o teor em gordura, e com isso o teor energético, cresce em maior proporção (NRC, 2007).

A nutrição do potro ao nascimento é afetada não somente pela alimentação da égua, mas também pela eficiência fisiológica do ambiente uterino e idade da égua (NRC, 2007). Diferenças no peso ao nascer ocasionadas por desvios nutricionais na égua gestante podem ser proporcionalmente reduzidas com ajustes na vida pós-natal inicial. O peso ao nascimento possui alto impacto no tamanho final dos potros, tanto por razões genéticas quanto ambientais, e a idade ao desmame de potros em condições de bom manejo parece exercer pouca influência (Yamamoto et al, 1993).

Potros desmamados após receberem colostro podem atingir velocidades de crescimento iguais àqueles desmamados com dois a quatro meses de idade. Estes, por sua vez, podem crescer mais rápido do que os potros desmamados com seis meses de idade. Por isso, a idade apropriada do desmame, para um haras em particular, se baseia na prática de manejo mais conveniente e confiável.

Nas primeiras semanas, a alimentação dos lactentes não representa problemas. A égua oferece alimento na quantidade e composição adequada. Os potros mamam frequentemente em média 50-60 vezes em 24 horas. A quantidade de leite ingerida por refeição em animais de porte médio é de aproximadamente 150-250 mL (Meyer, 1995).

            O leite materno pode não satisfazer as exigências nutricionais do potro, quantitativa ou qualitativamente, após algumas semanas, fazendo com que uma suplementação alimentar seja imprescindível. Esta suplementação tem início com a menor produção de leite da égua e aumento na velocidade de desenvolvimento do potro (Meyer, 1995).

Até a idade de 8-9 meses é importante observar a qualidade das proteínas, ou seja, aporte de aminoácidos essenciais adequado. A Tabela 1 indica as recomendações nutricionais, segundo NRC (2007), para potros dos 4 até os 24 meses de idade cujo peso adulto é cerca de 400kg.

 

Tabela 1 – Exigências nutricionais, de acordo com o NRC (2007), para potros cujo peso adulto é cerca de 400kg.

Idade (meses)

Peso corporal médio (kg)

GP médio diário / kg de leite / dia

ED (Mcal)

PB (g)

Lisina (g)

Ca (g)

P (g)

4

135

0,67

10,6

535

23,0

31,3

17,4

6

173

0,58

12,4

541

23,3

30,9

17,2

12

257

0,36

15,0

677

29,1

30,1

16,7

18

310

0,23

15,4

639

27,5

29,6

16,5

24

343

0,14

15,0

616

26,5

29,3

16,3

 

De acordo com Meyer (1995), as taxas de crescimento obtidas em condições normais mostram que potros crescem rapidamente, principalmente os de raças pequenas. Após 2 meses, o potro apresenta 25-30% do peso de um animal adulto, após seis meses é de 55% para raças pequenas, e 45% para raças grandes. Potros com 1 ano de idade atingem 91-93% da altura de cernelha de um adulto, e 60-75% do peso final. No segundo ano de vida, a taxa de crescimento é reduzida drasticamente. Após 3 anos, 90-92% do peso adulto é atingido, e aos 4 ou 5 anos os animais completam seu crescimento.

Hintz (1980) afirma que, como regra geral, os potros atingem 60% de seu peso adulto, 90% de sua altura adulta e 95% de seu eventual crescimento ósseo com 12 meses de idade, conforme o indicado na tabela a seguir. No período do nascimento até a maturidade, os coeficientes de crescimento (a constante de velocidade para o crescimento de um tecido ou estrutura, em relação àquela de todo o corpo vazio) dos três principais tecidos equinos por ordem crescente de magnitude são osso, músculo e gordura, implicando que o osso apresenta maturação mais precoce e a gordura mais tardia. Isso e a afirmação anterior de que a taxa de crescimento total declina a partir do nascimento (ganho de peso por unidade de peso vivo vazio) significa que a altura final é determinada em um estágio de vida bem inicial, que o crescimento inicial demanda dietas ricas em minerais, proteínas e vitaminas formadores dos ossos, e com o avançar da idade é requerida uma proporção cada vez maior de carboidratos na dieta (NRC, 2007). A rápida extensão precoce dos ossos longos em animais de raças altas, os tornam sujeitos às deformações oriundas da má nutrição inicial.

 

Tabela 2 – Percentuais do peso corpóreo e da altura da cernelha de adultos, obtidos em diferentes idades em várias raças equinas (Hintz, 1980).

 

 

potro_paula2_400

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

FRAPE, D. Nutrição & Alimentação de Equinos. 3. ed. São Paulo: Editora Roca, 2008. 602 p.

 

FREEMAN, D. W. 1990. Managing young horses for sound growth. Disponível em: http// www.osuextra. Consulta em 25/02/2006.

 

HINTZ, H. F. Growth in the horse. In: Stud Manager´s Handbook, Agriservices Foundation, Clovis, California v. 16, p. 185-187, 1980.

 

MARTIN-ROSSET, W. Lálimentation dês chevaux – techniques et pratiques. Institut National de la Recherche Agronomique, Paris. 1990. 198 p.

 

MEYER, H. Alimentação de cavalos. 2. ed. São Paulo: Varela, 1995. 303 p.

 

NRC (NATIONAL RESEARCH COUNCIL). Nutrients Requeriments of Horses. Washington, DC: National Academy Press, 2007. 340 p.

 

YAMAMOTO, O.; ASAI, Y.; KUSUMOSE, R. Effect of sex, birth, month parity, weight of dam and farm on the growth of  Thoroughbred foals and yearlings. Animal Science and Technology. v. 64, n. 5, p. 484-490, 1993.

 

 

 

Paula Gomes Rodrigues

MSc. em Produção Animal (UFLA)

 

Maria Cláudia M. Guerra Miranda

Mestranda em Ciência Animal (UNIFENAS)

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