
Maria Claudia Martins Guerra Miranda
Paula Gomes Rodrigues
Variam desde os expressados durante os afagos mútuos que tem um efeito calmante até aqueles usados nas agressões como mordidas que causam excitação. Podem ser usados também para dirigir o comportamento de um indivíduo.
A higienização é um processo pelo qual o cavalo opta, apesar de ser perfeitamente capaz de se higienizar, gerando uma forma de contato social. Em grandes grupos, sempre há os favoritos de cada cavalo. Um cavalo aproxima-se do outro com as orelhas voltadas para frente, a boca levemente aberta e o lábio inferior caído para mostrar os incisivos, se as orelhas também estiverem caídas para trás, indica agressividade ou que um individuo mais dominante vai higienizar um menos dominante. Os individous ficam então encarando um ao outro, normalmente, se mordiscando levemente no pescoço, crina patas dianteiras e cernelha, por cerca de três minutos. Tem um padrão sazonal, mas também exerce também uma função social, ajuda os membros de um grupo se manterem unidos e tranqüiliza os indivíduos.
Os cavalos têm uma visão muito boa, são capazes de identificar detalhes muito bem sendo sensíveis a qualquer movimento dentro do seu campo visual.
Movimentos súbitos e não usuais são muito excitantes para um cavalo, podem ser vistos em uma variedade de demonstrações de ameaça como os feitos com a cabeça, a pata dianteira batendo e recuando como em demonstrações sexuais de um garanhão contrapõem-se com a figura de um cavalo relaxado, em uma postura distendida.
Segundo Gray (1987) quando um cavalo percebe que algo diferente esta acontecendo no seu ambiente ocorre um aumento da excitação e o sistema inibidor entra em ação o que causa a suspensão de toda atividade em andamento e dedicação total à nova situação. Uma vez que tiver sido suficientemente investigada e identificada, ele devera ou fugir, ou lutar ou aguardar.
Como são animais que não têm natureza de lutar, só defenderão sua posição se não puderem fugir ou se valorizam aquilo que esta sendo ameaçado, como seus parentes ou parceiros sexuais. A reação normal submissa de um cavalo é sair calmamente para evitar o conflito, podendo fazer isso com as orelhas voltadas para trás. Se um cavalo não foge, pode contornar a situação de diversas formas, através de alguns sinais. Infelizmente estes, são geralmente ignorados, o que pode levar à agressão física declarada.
Alguns outros sinais de comportamento do cavalo, que nos permite tirar o máximo de proveito, ou ate prejudicar seu desempenho se não respeitado, podem ser descritos a seguir:
- Sono profundo: ocorre nos animais mais jovens. É um sono onde o animal se deita totalmente de lado com a cabeça e pescoço encostados no chão, em completo relaxamento.
- Sono médio: ocorre em animais jovens e adultos. É um sono onde o animal se deita de lado, mas com a cabeça e pescoço erguidas, ou com o focinho tocando o solo.
- Sono superficial: ocorre mais em animais adultos. O animal permanece em pé, em estado de semi-vigilância, com as orelhas relaxadas, os lábios afrouxados e o pescoço próximo da horizontal. Um dos pés está sempre relaxado, apoiado somente nas pinças. Esta postura, ao ser despertado por um “sentinela”, permite colocar o cavalo rapidamente em posição de fuga.
A linguagem do cavalo é assim um complexo de olhares, sons, odores e toques. Se for usada corretamente pode ajudar a controlar o comportamento do cavalo sem o uso de violência.
São sinais que tendem a ser subestimados pelo homem já que este último tem um sentido de olfato extremamente pobre, comparado às espécies domesticas. Produzidos por meio de secreções cutâneas, saliva, respiração, urina e fezes. Os sinais químicos não necessitam ser conscientemente detectados para produzirem o efeito desejado. O cavalo fareja o ar ou ainda o flehmen para investigar odores sociais ou feromônios (substâncias químicas semelhantes a hormônios) liberados no ambiente por um animal. Geralmente afetam o comportamento de outros membros da mesma espécie.
Os cumprimentos eqüinos envolvem geralmente investigação olfativa, na região do nariz e da boca seguida pelos flancos e região perineal. Quando uma substância química envolve uma mudança de comportamento como a resposta flehmen ou excitação sexual é fácil reconhecer o papel daquele sinal químico, porem quando o efeito é mais sutil como quando envolve o crescimento e desenvolvimento. Os sinais químicos podem estar envolvidos nos seguintes processos: identificação de um individuo, incluindo sexo, idade e estado psicológico; coordenação e posicionamento de indivíduos dentro de um grupo social e entre diferentes grupos; a comunicação égua-potro inclusive vinculação e descida de leite; sinalização de alarme e calma; movimentação e orientação; excitação sexual e desempenho; crescimento desenvolvimento e maturidade.
Sinais Acústicos
Alguns dos sons eqüinos podem conter significativos elementos que são inaudíveis apesar de parecerem perceptíveis ao ouvido humano.
Entre si, os cavalos emitem vários sons que são reconhecidos pelos outros animais e identificados para estabelecimentos de vontades e humores do cavalo. Os sons que o cavalo emite podem ser assim distinguidos, segundo Jean de Goldfiem:
- sopro infra-sonoro, único e prolongado: denota curiosidade com a alimentação, pegadas de outro animal, arreamento.
- sopro infra-sonoro, curto e repetido: denota inquietação.
- relincho grave, curto, repetido: manifestação voluntária de medo e pedido de socorro.
- relincho grave, alto e longo: denota cólera
- relincho grave, rouco, sem modulações: antipatia, agressividade
- relinchos agudos, curto e repetidos, “a meia voz”: desejo de água, grãos, acasalamento, saída.
- relincho agudo, repetidos, “a plena voz”: denota grande alegria, satisfação por ver outro cavalo, o dono ou uma pastagem.
- relincho muito agudo, modulado, “a plena voz”: denota grande alegria, em uma manha de sol.
Porém pode-se dividir estes sons de outra forma:
Dois outros sinais auditivos incluem bater as patas, que usualmente é uma ameaça leve ou sinal de desconforto, e cavar com as patas que pode ser um sinal de frustração.
Segundo Jean de Goldfiem, na comunicação entre o homem e o cavalo, parece que a melhor língua compreendida pelo cavalo é o alemão, porem, o que mais importa nesta comunicação, não é a palavra em si, mas o som que ela transmite a sensação e emoção do homem ao animal.
Ele responde facilmente a sons guturais, resmungos feitos com decisão e a assobios e comandos graves e determinados.
Entretanto, esta não é a única forma do homem identificar as reações e sensações do cavalo. A observação dos movimentos do corpo, em partes especificas como orelhas, caudas e olhos, ajuda, e muito, a saber o que esperar de um cavalo.
Referências Bibliográficas
MILLS, D. S., NANKERVIS, K. J. Comportamento Eqüino: princípios e práticas: [tradução Washington Fogli da Silveira] – São Paulo : Rocca, 2005
http://www.informativocavalos.com.br/
http://www.tudosobrecavalos.com/aprendizagem_equina.php
http://www.equisport.pt/gca/index.php?id=115
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