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A organização social

 

Maria Claudia Martins Guerra Miranda

Paula Gomes Rodrigues

 

            Os cavalos são considerados uma espécie social, tendem a viver em grupos sociais. Os grupos de cavalos podem encontrar-se por duas razões interesses comuns (relações sem coesão) e sociedade social (relações consistentes).

            Nas relações sem coesão eles convergem impelidos por algum interesse comum, o grupo não é uma unidade social já que seus indivíduos não se esforçam para manter a união, mas podem expressar gestos de ameaça agressiva para mantê-los unidos.

            A sociedade social é o grupo em que a maioria dos cavalos escolhe viver são definidas por uma consistente ordem de relações sociais e interações entre os membros do grupo. Eles se esforçam para manter a união através da : comunicação, coordenação, coesão.

            Devem ser capazes de expressar os comportamentos e as atividades mentais necessários para manter o grupo unido o que inclui reconhecimento individual, coordenação de atividades e realização de intercambio social, o que mantém os indivíduos agrupados. Se ocorrer agressão é porque o relacionamento entre o grupo não está inteiramente estável.

Grupos sociais estáveis são grupos em que os adultos permanecem juntos por vários anos. Grupos em que o garanhão vive com varias éguas e seus filhos e grupos de bando de machos solteiros, ambos são grupos familiares reconhecidos, vivendo soltos na natureza. Jovens adultos não reprodutores podem se desligar ou serem desligados da manada para formar seu próprio grupo e garanhões adultos também podem ser encontrados vivendo isolados. Grupos sociais transitórios ocorrem quando pequenos bandos sociais se juntam para formar rebanhos maiores que se manterão unidos por toda migração. Como por exemplo a migração das zebras de Grevi. Esses grupos maiores podem, eles próprios, juntar-se a grupos não sociais maiores em importantes pontos como fontes de água limpa e passagens fluviais.

As vantagens da vida em grupo são: os muitos olhos em busca de predadores e de alimentos; grupos defendem melhor os recursos disponíveis; ocasionalmente uma égua poderá amamentar um potro que não seja dela, ou ainda um grupo adotar um potro órfão (Blakeslee, 1974; Boyd, 1980); estando em grupo é mais fácil espantar um predador ou dele perder o rastro.

Porém diante desses benefícios estão os custos da vida em grupo que são: maior risco da prole que pode ser seriamente ferida ou morta como resultado do comportamento de outros membros do grupo; a competição por recursos limitados é mais intensa; maior risco de infecção.

Os cavalos não formam naturalmente grupos sociais com mais de vinte indivíduos. É mais plausível que o circulo social de um cavalo tenda a ser menor que dez. Grandes grupos estão juntos por um objetivo comum, entretanto, cada unidade se mantém separada. A estrutura social do grupo é determinada pelo tipo e pela qualidade do relacionamento entre os indivíduos. Estes relacionamentos são definidos pela natureza da interações entre os membros do grupo (Hinde, 1976), que podem sugerir os papéis específicos entre eles.

Os garanhões pastoreiam rebanho impedindo que as fêmeas deixem o grupo e encorajando o grupo a se manter unido. Quando o harém se muda, ele tende a ser o último do grupo o que o associa ao papel de coordenador do grupo. Grupos femininos tendem a ser maiores se for incluído um garanhão. Em muitos grupos a égua mais velha vai a frente por que provavelmente ela já percorreu essa trilha mais do que qualquer outra estando familiarizada com o terreno e com seus risco. Geralmente é ela quem educa os jovens potros. O movimento ou ação do individuo pode levar ao resto do grupo a fazer o mesmo sendo ele, portanto o controlador dessa atividade. A eficiência do controlador depende do individuo e do que ele está tentando controlar. As vezes um indivíduo inicia um movimento mas o grupo não o segue até que o controlador o acompanhe.

A dominância é aparente quando um indivíduo controla a conduta de outro ou controla o acesso a algum recurso, geralmente como resultado de confrontos agressivos. Quando um indivíduo ganha ou perde confrontos consecutivamente com outro podemos determinar uma posição dentro do grupo onde o vencedor está mais bem posicionado. O individuo alfa pode controla todos enquanto o indivíduo ômega não exerce controle sobre nenhum.

A agressão social é um sinal de incerteza a cerca do relacionamento entre dois indivíduos. Quando este está bem estabelecido, o subordinado tende a evitar o individuo dominante ou a respeita-lo quando se aproxima. Parceiros sociais permitem-se aproximações quando não houver competição, havendo troca mútua de afagamento, sendo tolerados dentro da zona de perigo tendo inclusive acesso ao seu espaço pessoal.

A zona de perigo é um espaço em torno do cavalo que, quando invadido fará que ele mude de lugar seu tamanho varia de acordo com cada indivíduo e situação podendo ser maior se o cavalo estiver muito excitado. O espaço pessoal é a área próxima do cavalo na qual somente amigos mais íntimos são tolerados. Quando invadida essa área e não for bem vindo o cavalo dá sinais sutis de agressividade que se forem ignorados podem levar a uma reação violenta, porém alguns demonstram uma desconfortável aquiescência.

Para conduta e treinamento do cavalo é importante explorar essas zonas para se obter uma inibição da agressão e construir afinidades e camaradagens.  

Dentro de um harém a égua mais velha anda na frente e o garanhão atrás. O garanhão dirigindo as éguas atrás do grupo assegura que nenhuma delas se perca e sejam levadas por outros garanhões. O garanhão conduz o grupo correndo ao lado, mas ligeiramente atrás de um dos indivíduos, ou movimentando-se entre eles. O serpenteamento envolve um garanhão que abaixa, estende e encolhe o pescoço e a cabeça, colocando as orelhas para trás. Como uma cobra ameaçadora gira ou movimenta a cabeça par os lados.

As éguas desgarradas acabam juntando-se ao grupo e também os garanhões que se afastaram usam esse comportamento. A luta com o garanhão pode ser precedida por um ritual de exibição e provocação, incluindo bater o pé e ameaçar, apenas ocasionalmente terminam em luta.

O harém pode se considerado um lugar movimentado uma vez que o garanhão consegue distinguir a urina e as vezes de outros membros do seu harém. Defecando por cima das vezes das éguas para notificar aos ouros sua presença continua evitando conflitos desnecessários.

Se uma égua vê outra defecando é possível que faça o mesmo entretanto, se ela passar por um monte de vezes de outra égua, mas não vir quem fez, o mais provável é ela urine sobre o monte após cheirá-lo. A frescura dessa marcas indica a distancia que se encontra um grupo do outro e ajuda a mantê-los distantes. Se uma égua se perder de seu harém é provável que ela cheire quaisquer vezes que encontre para achar o caminho de volta.

Não há duvidas de que o cavalo tem potencial para operar uma variedade de sistemas sociais, dependendo do meio ambiente. Uma vez que a estratégia adotada por um cavalo tenda a ser aquela que melhor se adapte as condições existentes, o comportamento pode ocorre com mais freqüência que nos é dado perceber.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MILLS, D. S., NANKERVIS, K. J. Comportamento Eqüino: princípios e práticas: [tradução Washington Fogli da Silveira] – São Paulo : Rocca, 2005

 

ROBERTS, Monty.O Homem que ouve cavalos; tradução de Fausto Wolff; revisão técnica, Laura Rosetti Barreto Ribeiro. - 3a ed – RJ; Bertrand Brasil, 2002.

 

 

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