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Relação entre escore de condição corporal e ...

RELAÇÃO ENTRE ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL E ATIVIDADE OVARIANA EM ÉGUAS

 

 

Por Paula Gomes Rodrigues

 

 

            De acordo com Godoi et al (2002) diversos fatores podem interferir na regulação da atividade ovariana, como fotoperíodo, presença do potro, nutrição e estação do ano, entretanto, a condição corporal parece exercer uma maior atuação sobre esta regulação.

            O escore corporal pode influenciar a dinâmica folicular da égua, atuando, por exemplo, na duração do período anovulatório e no número de ciclos necessários até a concepção (NRC, 2007).

O retorno à atividade ovariana após o período anovulatório pode ser mais tardio no caso de éguas com escore abaixo do adequado, concluiu Meyer (1995). Kubiak et al (1987) e Belonje & Nierkerk (1975) obtiveram os mesmos resultados, o estabelecimento do estro e da ovulação foi mais tardia em éguas que iniciam a estação de monta com escore corporal abaixo de 5.

            Gentry et al (2002) observaram que a condição corporal quando modificada de 7 para 8 ou 3,5 exerce influência sobre a eficiência reprodutiva, provocando anestro profundo nas éguas com baixo escore, enquanto que aquelas de maior escore continuam com atividade ovariana, estes resultados foram acompanhados por menores concentrações de leptina, IGF-I (fator de crescimento semelhante à insulina -I) e prolactina.

Os mesmos autores afirmam ainda que, éguas que entram no inverno com ECC moderado ou gordo e sofrem restrição energética, apresentam ausência de atividade ovariana cerca de 12 semanas após o início do período de restrição.

            Existe uma correlação negativa entre o intervalo do parto até a primeira ovulação com a condição corporal, contudo, o diâmetro máximo dos folículos ovulatórios se mostrou correlacionado positivamente com a condição corporal (Godoi et al, 2002).

            O mesmo foi observado por Gastal et al (2000), que afirmam que a condição corporal elevada resulta em folículos ovulatórios maiores, quando comparados aos folículos de éguas menos condicionadas.

            Kubiak et al (1987) notaram que a duração do primeiro estro foi menor em éguas com alta porcentagem de gordura corporal quando comparadas a éguas com quantidade de gordura adequada, foi observada inclusive tendência de diminuição da duração do primeiro estro para éguas magras alimentadas com alta energia.

            Afirmam ainda que o aumento no consumo de energia acelera o estabelecimento da primeira ovulação em éguas com baixos níveis de gordura corporal, entretanto, este manejo não beneficia éguas em condição corporal moderada ou obesa.

Meyer (1995) afirma que para favorecer o aparecimento do cio em éguas que perderam peso durante a estação de monta, que apresentaram menor número de ciclos ou que não ovularam, deve-se alimentar estes animais de maneira adequada cerca de 2 a 3 semanas antes da cobertura.

 

 

Paula Gomes Rodrigues – Zootecnista

Mestranda em Produção Animal (UFLA)

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

BELONJE, P. C.; VAN NIEKERK, C. H. A review of the influence of nutrition upon the oestrus cycle and early pregnancy in the mare. J. Reprod. Fertil. Suppl., 23:167 – 169, 1975.

 

GASTAL, M. O.; GASTAL, E. L.; SPINELLI, V.; GINTHER, O. J. Body condition influences diameter of the ovulatory follicle in mares. Biol Reprod. 62:222. 2000.

 

GENTRY, L. R.; THOMPSON, D. L.; GENTRY, G. T.; DAVIS, K. A.; GODKE, R. A.; CARTMILL, J. A. The relationship between body condition, leptin, and reproductive and hormonal characteristics of mares during the seasonal anovulatory period. J. Anim. Sci, 80:2695-2703. 2002.

 

GODOI, D. B.; GASTAL, E. L.; GASTAL, M. O. A comparative study of follicular dynamics between lactating and non-lactating mares: effect of the body condition.  Theriogenology. 2002. 58:553-556.

 

KUBIAK, J. R.; CRAWFORD, B. H.; SQUIRES, E. L.; WRIGLEY, R. H.; WARD, G. M. The influence of energy intake and percentage of body fat on the reproductive performance of nonpregnant mares.  Theriogenology. 1987. 28(5):587-598.

 

MEYER, H. Alimentação de cavalos. São Paulo: Varela. 2. ed. 1995. 303p.

 

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – Nutrients Requeriments of Horses. Washington: National Academy of Sciences, National Research Council, 2007.

 

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