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Escore corporal / eficiência reprodutiva

 

Relação entre Escore de condição corporal e eficiência reprodutiva

 

Por Paula Gomes Rodrigues

 

O escore de condição corporal (ECC) das éguas pode afetar diversos componentes de sua eficiência reprodutiva, como taxa de concepção, intervalo entre partos, número de estros, duração do ciclo estral e taxa de reabsorção embrionária.

Henneke et al (1984) concluíram que éguas que entram em estação de monta com ECC moderado apresentam taxa de concepção mais alta quando comparadas com éguas que entram na estação de monta mais magras, as quais apresentam maior intervalo entre partos e maior número de ciclos por concepção.

No período pós-parto, éguas com baixa condição corporal demoram mais tempo para retornar à atividade reprodutiva normal (Hines et al, 1987).

            Em seu trabalho, Henneke et al (1983) concluíram que a restrição energética durante a gestação e lactação, resultou em menor taxa de concepção e maior mortalidade embrionária quando comparadas àquelas alimentadas com excesso de energia durante a lactação, ou com restrição de energia durante a gestação e excesso de energia durante a lactação. Éguas que pariram em alta condição corporal e sofreram restrição energética durante a lactação, utilizaram seu estoque de energia corporal para compensar os efeitos adversos que prejudicam a sobrevivência do embrião. (Henneke et al, 1983).

            A baixa eficiência reprodutiva observada em éguas que entram na estação de monta ou dão cria com baixa condição corporal parece não ser influenciada pela inadequada nutrição durante a estação, mas sim pela baixa condição corporal no momento do início da estação de monta (Henneke et al, 1983; Henneke et al, 1984; NRC, 2007)

Frape (2008) sugere que éguas magras devem ser bem alimentadas para ganhar peso durante a lactação e estimular a fertilidade, enquanto que éguas obesas gestantes devem manter seu peso durante a lactação. Éguas lactantes alimentadas excessivamente durante o terço final da gestação possui uma reduzida fertilidade, isso pode ser ocasionado, de acordo com o autor, pela tendência de reabsorção dos ovos fertilizados no primeiro estro após o parto, no chamado cio do potro.

Restrições energéticas e, consequentemente, ECC baixo, parece ter relação com a redução da concentração do IGF-I, enquanto que o GH (hormônio do crescimento) e os hormônios da tireóide são menos afetados afirmam Sticker et al (1995). McManus & Fitgerald (2000) observaram que as concentrações de leptina diminuíram em éguas com restrição alimentar, enquanto que as concentrações séricas do FSH, prolactina e LH não foram afetados.

Buff et al (2002) afirmam que as concentrações séricas de leptina são positivamente correlacionadas ao escore corporal, mas não relacionadas ao nível de consumo alimentar. Em trabalho realizado anteriormente (Cartmill et al 2003) foi comprovado uma interação entre a secreção de leptina e a secreção dos hormônios insulina, T3 e hormônio do crescimento.

Gentry et al (2002) compararam as respostas hormonais de éguas recebendo nutrição adequada com éguas recebendo dieta abaixo do recomendado. Estes autores concluíram que concentrações basais de LH, FSH, TSH e insulina não foram afetadas pela restrição alimentar e baixo escore corporal das éguas. Entretanto, a resposta do LH ao GnRH e da prolactina ao TRH foi reduzida.

 

 

 

Paula Gomes Rodrigues – Zootecnista

Mestranda em Produção Animal / equinos (UFLA)

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

BUFF, P. R.; DODDS, A. C.; MORRISON, C. D. et al. Leptin in horses: tissue localization and relationship between peripheral concentrations of leptin and body condition. Journal of Animal Science. 2002. 2942-2948.

 

CARTMILL, J. A.; THOMPSON, D. L.; Jr STORER, W. A.; GENTRY, L. R.; HUFF, N. K. Endocrine responses in mares and geldings with high body condition scores grouped by high vs. low resting leptin concentrations. Journal of Animal Science. 2003. 81:2311-2321.

 

FRAPE, D. Nutrição & Alimentação de Equinos. 2008. 3 ed. São Paulo. Editora Rocca. 602p.

 

GENTRY, L. R.; THOMPSON, D. L.; GENTRY, G. T.; DAVIS, K. A.; GODKE, R. A.; CARTMILL, J. A. The relationship between body condition, leptin, and reproductive and hormonal characteristics of mares during the seasonal anovulatory period. J. Anim. Sci, 80:2695-2703. 2002.

 

HENNEKE, D. R.; POTTER, G. D.; KRIEDER, J. L.; YEATS, B. F. Relationship between body condition score, physical measurements and body fat percentage in mares. Equine Vet. J. 15(4):371-2. 1983.

 

HENNEKE, D. G.; POTTER, G. D.; KREIDER, J. L. Body condition during pregnancy and lactation and reproductive efficiency in mares. Theriogenology. 1984. 21:897-909.

 

HINES, K. K.; HODGE, S. L.; KREIDER, J. L.; POTTER, G. D.; HARMS, P. G. Relationship between body condition and levels of serum luteinizing hormone in postpartum mares. Theriogtenology. 28:815-25. 1987.

 

McMANUS, C. J.; FITZGERALD, B. P.Effects of a single day of feed restriction on changes in serum leptin, gonadotropins, prolactin, and metabolites in ages and young mares. Domestic Animal Endocrinology, v.19, p1-13, 2000.

 

NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). 1998. Nutrients Requeriments of Swine. Washington, DC: National Academy Press.

 

STICKER, L. S.; THOMPSON, D. L.; FERNANDEZ, J. M.; BUNTING, L. D.; DEPEW, C. L. Dietary protein and (or) energy restriction in mares: plasma growth hormone, IGF-I, prolactin, cortisol, and thyroid hormone responses to feeding, glucose, and epinephrine. Journal of Animal Science, v. 73, p.1424-14321, 1995.

 

 

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