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Inseminação Artificial em Equinos

 

 

Maria Claudia Martins Guerra Miranda

 

 

Segundo Hafez (2004) a inseminação artificial é a técnica mais importante já desenvolvida para o melhoramento genético dos animais, pois permite um grande número de progênies por macho em um único salto. a primeira inseminação artificial foi feita em eqüinos, porem não existem documentações sobre essa primeira tentativa. A mais antiga documentação sobre inseminação data de 1780, quando o italiano Spallanzani conseguiu o nascimento de cães inseminando a cadela.

As principais vantagens da inseminação artificial segundo Hafez (2004) são:

a)     Possibilita a larga expansão de reprodutores superiores de alto valor genético de qualquer tipo de criação;

b)    Facilita o teste de progênie melhorando a acurácia da seleção;

c)     Gera melhoramento do desempenho e da potencialidade do rebanho nacional;

d)    Permite cruzamentos que modificam características de produção;

e)     Acelera a introdução de novos processos genéticos;

f)     Possibilita a utilização do sêmen de reprodutores já mortos, por meio do sêmen congelado, preservando linhagens seletas.

g)    Permite o uso de sêmen de reprodutores incapacitados;

h)     Reduz o risco de transmissão e propagação de doenças sexualmente transmissíveis;

i)      Essencial após a sincronização do cio em grandes grupos de animais;

j)      Permite que reprodutores com características desejáveis sejam utilizados em acasalamentos genéticos específicos e;

k)     Possibilita meios úteis de pesquisas dos muitos aspectos da fisiologia reprodutiva de machos e fêmeas.

Quando utilizada de forma adequada existem poucas desvantagens em sua utilização. Sendo necessário contar com pessoal treinado, dispor de boas condições para o manuseio das fêmeas, detecção do cio e, claro, higiene na hora da inseminação.

A inseminação artificial eqüina é uma técnica que, consiste em coletar o sêmen de um garanhão, dividi-lo em várias doses e em seguida depositar cada uma dessas doses no interior do útero das éguas em estro. A inseminação artificial permite assim obter várias doses a partir de um só ejaculado de forma a poder beneficiar várias éguas com um só salto.

A determinação do melhor momento para a cobertura em equídeos é extremamente importante para minimizar o número de saltos por concepção (Hughes et al., 1972). Todavia, o ciclo reprodutivo da égua está sujeito à maior variabilidade dentre todos os animais domésticos. A duração do estro é incerta, com a ovulação ocorrendo 24 a 48 horas antes do seu término, estando, portanto, este momento mais relacionado com o fim de que com o início do estro (Pace & Sullivan, 1975), e o controle do desenvolvimento folicular pela palpação transretal, visando-se detectar a proximidade da ovulação, não tem sido um método seguro, em virtude da variabilidade do tamanho e da consistência folicular na ovulação (Allen, 1981).

As técnicas de inseminação artificial utilizadas hoje em dia permitem obter resultados idênticos aos obtidos com a monta natural e são utilizadas sob três formas:

a)     A inseminação artificial com sêmen fresco – que utiliza sêmen fresco, com o intervalo ótimo entre a coleta e a inseminação inferior a 30 minutos,

b)    A inseminação artificial com sêmen Fresco Refrigerado – que utiliza sêmen fresco, refrigerado a 4ºc e que permite um intervalo coleta-inseminação de 12h a 24h e;

c)     A inseminação artificial com sêmen congelado – que utiliza sêmen congelado a uma temperatura de –196ºC e que permite a sua conservação por tempo indeterminado.

Contudo, nem todas estas técnicas são aplicáveis a todos os garanhões, uma vez que a qualidade do sêmen de certos garanhões os exclui de determinados tipos de inseminação artificial.

São atribuídas numerosas vantagens à inseminação artificial uma vez que ela permite separar no tempo e no espaço a ejaculação da inseminação.

Há uma maior proteção sanitária, porque o contato entre os animais é limitado, evita-se o deslocamento de animais e as técnicas de inseminação são aplicadas em ambientes controlados, onde se efetuam controles sanitários específicos aos garanhões e éguas.

São efetuadas coletas de sêmen aos garanhões não mais que três vezes por semana, tempo este que permite a total recuperação da produção de espermatozóides. Existe então uma racionalização da utilização dos garanhões porque, há uma diminuição do número de saltos e do número de viagens em caminhão, o que permite a manutenção da carreira desportiva e reprodutiva do animal, em simultâneo.

A variabilidade individual entre garanhões (características seminais de cada garanhão) e os métodos de conservação de sêmen, constituem algumas das limitações da inseminação artificial.

O risco de consangüinidade aumenta se os garanhões utilizados para a inseminação artificial produzirem um maior número de potros que os outros garanhões utilizados em monta natural.

As dúvidas sobre a certificação de origens são satisfeitas pela identificação de todas as doses e pelo controle de filiação obrigatória dos potros, produtos de inseminação artificial.

Os garanhões são submetidos a testes, seguindo critérios rigorosos para que possam ser admitidos à técnica de inseminação artificial, tendo um número de certificados de cobrição limitado.

Uma má aplicação destas técnicas pode ter repercussões sobre a qualidade biológica do sêmen (capacidade de fecundação) ou sobre a higiene das doses e sua aplicação.

A sua utilização requer conhecimentos específicos e por essa razão, só deve ser colocada em prática por inseminadores dos centros de reprodução autorizados, tornando o custo financeiro da inseminação artificial mais elevado no que diz respeito a pessoal qualificado e material utilizado.

O sucesso dos resultados obtidos reside no fato de se efetuar uma boa escolha das éguas a inseminar e a correta manipulação do sêmen, proveniente de garanhões férteis.

A inseminação artificial em eqüinos torna possível o aumento da utilização econômica dos garanhões e o rápido melhoramento genético da espécie.

Segundo Hafez (2004), o sêmen coletado para utilização em inseminação artificial deve ser diluído com os diluidores comerciais ou aqueles preparados em laboratorio, como já foi dito anteriormente.

A inseminação artificial é permitida pela maioria das associações de criadores de raça no Brasil, desde que o garanhão produza alguns produtos por meio de monta natural.

Para a pratica, apenas equipamentos estéreis, atóxicos e descartáveis devem ser usados. Todas as inseminações devem ser executadas com a técnica de contaminação mínima: com a égua devidamente contida, com a cauda enfaixada, e elevada e a área entre a base de cauda e a comissura ventral da vulva muito bem esfregada, lavada e secada. O sêmen contido em uma seringa é depositado dentro do corpo uterino anterior por uma pipeta estéril de inseminação de 22 polegadas. O técnico deve usar uma luva esterilizada ou de plástico, limpa, protegendo desde o ombro, quando estiver passando a pipeta através da cervix para o corpo uterino, onde o sêmen será depositado (Hafez, 2004).

Tradicionalmente, as éguas são cobertas ou inseminadas a partir do terceiro dia do cio, e o procedimento é repetido a cada dois dias até o seu término. No entanto, tal esquema não pode ser adotado em éguas consideradas suscetíveis a infecções uterinas (Jacob et al., 2000). Além disso, tal metodologia de inseminação/cobertura limita a utilização de reprodutores de alto potencial genético, localizados a grandes distâncias das matrizes e/ou quando necessitam servir grande número de éguas durante a estação de monta, como nos condomínios de garanhões. Finalmente, este esquema reduz o uso de garanhões com problemas adquiridos que não podem ser muito exigidos na monta natural (Silva Filho, 1994).

Segundo Hafez (2004), as éguas são inseminadas com 250 x 106 a 500 x 106 espermatozóides com motilidade progressiva no diluidor. O volume da dose varia de 5 a 20 mL. Para índices ótimos de gestação o ideal é inseminar a égua dentro de 12 a 24 horas antes da ovulação.

Quando a inseminação não ocorrer logo após a coleta, o sêmen do garanhão deverá ser resfriado ou congelado e acondicionado de forma adequada em palhetas e que depois deverão ser colocadas em um contêiner de transporte ou em um botijão de hidrogênio líquido.

Para que a fêmea seja inseminada, deverá apresentar comportamento de cio. Para tal algumas técnicas de detecção de cio são empregadas. Em éguas essas técnicas estão relacionadas na tabela 13.

 

Tabela 13 – Detecção de Cio e Procedimento de Inseminação

Espécie

Detecção de cio

Procedimento de inseminação

Eqüina

Éguas são rufiadas diariamente com um garanhão, ou algum outro rufião, em piquetes especiais. As indicações de aceitação do garanhão são: elevação da cauda, abertura dos membros posteriores, posição estática, freqüência do ato de urinar e contração da vulva – “piscando”.

As éguas são contidas por laços, peias ou colocadas em um tronco de cobertura para a proteção do inseminador. A área ao redor da vulva é esfregada antes da inseminação para minimizar o risco de contaminação. Com uma luva plástica, ligeiramente lubrificada, o braço é introduzido na vagina e o dedo indicador é inserido na cérvix. O cateter de inseminação é guiado para dentro do útero para depositar o sêmen

Fonte: Adaptado de Hafez (2004).

 

Referências Bibliográficas

 

ALLEN, W.R. Fertility in pony mares after post ovulation service. Equine Veterinary Journal, v.13, n.2, p.134-135, 1981.  

 

HAFEZ, E. S. E.; HAFEZ, B. Reprodução Animal [Tradução Renato Campanarut Barnabe] – Barueri, São Paulo : Manole, 2004.

 

HUGHES, J.P.; et al. Estrous cycle and ovulation in the mare. Journal American Veterinary Medical Association, v.161, n.12, p.1367-1374, 1972.  

 

JACOB, J.C.F.; et al. Taxa de gestação em éguas Mangalarga Marchador inseminadas pós-ovulação. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v.24, n.1, p.51-55, 2000.

 

PACE, M.M.; SULLIVAN, J.J. Effect of timing of insemination, numbers of spermatozoa and extender components on the pregnancy rate in mares inseminated with frozen stallion semen. Journal of Reproduction Fertility, v.23, p.115-121, 1975. Suppl.

 

SILVA FILHO, J.M. Avaliação do manejo reprodutivo e do sêmen na inseminação artificial de eqüinos. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 1994. 408p. Tese (Doutorado em Zootecnia) - Universidade Federal de Viçosa.  

 

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