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Sêmen Fresco Equino

 

Maria Claudia Martins Guerra Miranda

 

O sêmen in natura deve ser colhido e utilizado, imediatamente, no próprio local. Tem como vantagens a economia do uso de diluidor, contudo, como desvantagem, a qualidade espermática não sendo preservada (Kenney et al., 1975). Rapidamente se perdem os parâmetros de motilidade e vigor, além do metabolismo espermático manter-se elevado. O local de deposição pode ser o corpo (Silva Filho, 1994), ou o corno uterino, e o volume espermático deve ser de até 3 ml (Xavier, 2006). O regime de inseminação utilizado mais recomendado é de inseminação a cada 48 horas, a partir da detecção de um folículo ovariano de 3 a 3,5 cm ou a partir do segundo dia da detecção da égua em cio (Carvalho, 1992).

Segundo Ley (2006) o uso da inseminação artificial com sêmen fresco deve-se principalmente para controle de doenças sexualmente transmissíveis, tanto do garanhão para a égua, quanto da égua para o garanhão. Isso porque o sêmen utilizado para inseminação artificial deverá ficar incubado pelo menos 30 minutos (37°C) após sua diluição e preparação, para permitir que o antibiótico no diluidor tenha tempo de atuar por completo, evitando-se a transmissão de doenças do garanhão para a égua. Alem disso, o uso da inseminação artificial em éguas susceptíveis à endometrite recorrente ou pós- cobrição é uma alternativa para a minimização de danos.

Não é perigoso enriquecer ou diluir o sêmen fresco coletado antes da inseminação artificial, contanto que ele seja inseminado logo após o tempo de ação do antibiótico, e não seja dividido em mais de 5 éguas.

O objetivo da inseminação artificial com sêmen fresco é cobrir a égua 24 a 36 horas antes da ovulação. Os espermatozóides frescos do garanhão, na maioria das vezes, apresentam boa longevidade intra-uterina, não necessitando de freqüência maior que uma a cada 48 horas.

Alguns trabalhos comparando a inseminação artificial com sêmen in natura e sêmen diluído, utilizando éguas e garanhões de fertilidade normal, não encontraram diferenças entre diluição e não diluição. Silva Filho (1994) comparou o efeito da inseminação com dose inseminante de espermatozoides com movimento progressivo, em éguas da raça Mangalarga Marchador, com sêmen in natura (I), e sêmen diluído em leite desnatado glicose (II), lactose gema (III) e um diluidor à base de glicina (IV). Não sendo observada diferença estatística entre os diluidores e sêmen in natura, com relação à taxa de prenhez. Vianna (2000), utilizando a mesma dose Silva Filho (1994), comparou à inseminação de apenas um ciclo em éguas da raça Crioulo, com sêmen in natura e sêmen diluído em diluidor à base de lactose-gema de ovo, utilizou esquema de inseminações a cada 36 horas a partir da detecção de um folículo com 3 e 3,5 cm com égua em estro, obtendo taxa de gestação aos 15 dias de 80% e 78,9%, sem diferenças estatísticas entre as técnicas.

 

Referências Bibliográficas

 

CARVALHO, G. R. Fertility of the diluted equine semen, Cold to 20ºC and transported. 1992. 87 f. Thesis (Magister Scientiae) – Department of Animal Science Federal University of Viçosa, Viçosa, Minas Gerais, 1992.

 

KENNEY, R. M. et al. Minimal contamination techniques for breeding mares: techniques and preliminary findings. In: ANNUAL CONVENTION, AMERICAN ASSOCIATION EQUINE PRACTITIONERS, 1975. Proceedings... Boston: AAEP, 1975. v. 21, p. 327-335.

 

LEY, W. B. Reprodução em Éguas: Para Veterinários de Eqüinos: [Tradução Clarisse Simões Coelho, Vinícius Ricardo Cunã de Souza] – São Paulo : Rocca, 2006.

 

SILVA FILHO, J.M. Avaliação do manejo reprodutivo e do sêmen na inseminação artificial de eqüinos. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 1994. 408p. Tese (Doutorado em Zootecnia) - Universidade Federal de Viçosa.  

 

VIANNA, B. C. Artificial insemination in mares with: freeze semen, in natura and diluted. 2000. 64 f. Thesis (Master of Science) – College Veterinary, Federal University of Parana, Curitiba, 2000.

 

XAVIER, I. L. G. S. Fertilidade de éguas inseminadas com sêmen a fresco diluído, no corpo ou ápice do corno uterino, utilizando diferentes números de espermatozóides por dose inseminante. 158 f. 2006. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) - Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 2006.

 

 

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