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Ciclo estral e foliculogênese na égua

Por Paula Gomes Rodrigues

 

            O ciclo estral é definido como uma seqüência de eventos que prepara a égua para a concepção, é definido como o período de tempo entre duas ovulações (Lopes, 2004). Pode ser dividido em estro ou fase folicular, e diestro ou fase luteínica (Mckinnon & Voss, 1993).

O estro é o período em que ocorre a ovulação e no qual a égua está receptiva sexualmente. Os folículos secretam grande quantidade de estrógenos, responsáveis pelo surgimento do cio (Hafez & Hafez, 2004). No diestro, de acordo com Lopes (2004), a égua não está receptiva ao garanhão, porém, seu sistema reprodutor está apto a gerar e manter um embrião. Após a ovulação as células da teça e da granulosa sofrem luteinização, formando o corpo lúteo. O fim do diestro é marcado pela regressão do corpo lúteo entre 14 a 15 dias após a ovulação.

A duração do ciclo estral das éguas pode variar de 19 a 25 dias, com uma ou duas ondas de crescimento folicular (Ginther, 1992), e a duração do cio dura cerca de 4 a 8 dias, com a ovulação ocorrendo 1 ou 2 dias antes do final do cio (Hafez & Hafez, 2004).

Ginther (2000) afirma que existem dois tipos de ondas foliculares ao longo do ciclo estral das éguas: ondas ovulatórias, com folículos dominantes e subordinados, e ondas menores, onde os folículos não são capazes de atingirem a dominância e regridem.

O padrão de crescimento folicular na égua se dá através de uma sequência de acontecimentos: recrutamento, seleção, dominância e ovulação ou atresia. Na fase de recrutamento ocorre o crescimento comum de um grupo de folículos antrais sensíveis ao FSH (hormônio folículo estimulante) que se desenvolvem no final do diestro, seguido pela fase de seleção, na qual um ou mais folículos continuam seu desenvolvimento enquanto que os demais iniciam um processo de regressão ou atresia (Gurgel et al, 2008). O maior folículo se tornará o dominante (fase de dominância) que, ao secretar elevadas quantidades de estrógeno, por feed back negativo irá inibir o crescimento dos demais folículos e, ao atingir sua maturação irá ovular no cio subseqüente, diminuindo os níveis de FSH circulante e impedindo o crescimento e maturação dos demais folículos (Hafez & Hafez, 2004; Arantes, 2004).

De acordo com Hafez & Hafez (2004), o ciclo reprodutivo equino é o que está sujeito à maior variabilidade entre os animais domésticos. Algumas éguas são poliéstricas e podem ficar prenhes o ano todo, principalmente aqueles animais que vivem próximo à linha do Equador e não sofrem com o efeito do fotoperíodo. Entretanto, a maioria das éguas são poliéstricas sazonais, ciclando apenas nos meses com dias mais longos, no verão.

A atividade ovariana e o crescimento folicular ocorrem durante os meses do final da primavera e do verão em resposta ao aumento da duração da luz do dia (Frape, 2008). Os períodos de escuridão estão associados com uma elevação nas concentrações plasmáticas de melatonina, dessa maneira, durante o inverno, a secreção deste hormônio aumenta continuamente (Domingue et al, 1992).

A melatonina possui ação antigonadotrófica nos equinos. Em altas concentrações inibe a secreção de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), hormônio responsável por estimular a secreção das gonadotrofinas (FSH e LH) pela hipófise (Hafez & Hafez, 2004). Dessa maneira a atividade ovariana é suspensa e as éguas entram em anestro.

 

 

Paula Gomes Rodrigues – Zootecnista

Mestranda em Produção Animal / equinos (UFLA)

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

DOMINGUE, B. M. F.; WILSON, P. R.; DELLOW, D. W.; BARRY, T. N. Effects of subcutaneous melatonin implants during long daylenght on voluntary feed intake, rumen capacity and heart rate of red deer (Cervus elaphus) fed on forage diet. 1992. Bri tish Journal of Nutrition. 68:77-88.

 

FRAPE, D. Nutrição & Alimentação de Equinos. 2008. 3 ed. São Paulo. Editora Rocca. 602p.

 

GINTHER, O. J. Reproductive biology of the mare (basic applied aspects). 2. ed. Cross plain: Equiservices. 1992. 642p.

 

GINTHER, O. J. Selection of the dominant follicle in cattle and horses. Animal Reproduction Science, Amsterdam, v. 60, p. 61-79, July 2000. Suplement.

 

GURGEL, J. R. C.; VIANA, C. H. C.; PEREZ, E. G. A.; NICHI, M. Dinâmica folicular em éguas: aspectos intrafoliculares. Ver Brás Reprod Anim, Belo Horizonte, v.32, n.2, p.122-132, abr/jun. 2008.

 

HAFEZ, E. S. E.; HAFEZ, B. Reprodução Animal. São Paulo: Manole. 7. ed. 2004. 513p.

 

LOPES, E. de P. Parâmetros reprodutivos de éguas Mangalarga Marchador em projeto comercial de transferência de embriões. Tese de Doutorado. Universidade de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais. 2004. 40p.

 

McKINNON, A. O.; VOSS, J. L. Equine Reproduction.  EUA: WILLIAMS & WILKINS. 1993. 1137p.

 

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